Inédito de Saramago deve chegar em novembro

Saramago ficou 20 anos sem escrever depois que o editor desprezou ‘Claraboia’

A editora Companhia das Letras deverá publicar em novembro romance inédito do escritor português e Nobel de Literatura José Saramago (1922-2010). ‘Claraboia’, obra escrita nos anos 50, quando Saramago contava 30 anos, narra os conflitos de seis famílias que moram em um prédio.

O livro, que é o segundo romance da carreira de Saramago, traz uma linguagem convencional em relação às obras de sua maturidade; era considerado por ele uma produção ao mesmo tempo ingênua e com esboços de características que depois se tornaram fundamentais em sua identidade de escritor.

O romance estava perdido desde que Saramago entregou os originais à editora, na época em que o produziu – foi encontrado por acaso em uma mudança durante os anos 80, quando o escritor recusou sua publicação, limitando-se a receber de volta os originais.

Saramago chegou a dizer que não queria publicar o livro em vida, mas que não se pronunciava quanto ao que aconteceria depois de sua morte. Deixou assim a decisão para a esposa, Pilar del Río, que viabilizou o lançamento pouco mais de um ano após sua morte. O livro foi lançado em Portugal no dia 1º de outubro em versão eletrônica e dia 17, em edição impressa.

Depois de ‘Claraboia’, Saramago ficou 20 anos sem escrever. Isso aconteceu porque, na época, a editora não se interessou pelo romance e também não deu qualquer resposta ao escritor, nem lhe devolveu os originais. Saramago só reapareceria no cenário literário em 1977, com ‘Manual de Pintura e Caligrafia’. Mas a glória mesmo ele alçou com ‘Memorial do Convento’, de 1982, que lhe rendeu vários prêmios.

Claraboia é uma metáfora do romance de vidas cruzadas, é literalmente por onde se ilumina a parte central de um edifício, é a perspectiva por meio da qual Saramago enlaça o leitor para colocar suas indagações e conflitos. Quem já conhece Saramago, vai encontrar nesta obra a mesma ironia de sempre sobre as relações humanas, algo que é a marca do escritor.

 

Euclides da Cunha em quadrinhos

O leitor que aprecia históriasem quadrinhos (HQs) pode ter em sua coleção ‘A Luta’, terceiro capítulo da obra máxima de Euclides da Cunha (1866-1909), ‘Os Sertões’. As ilustrações e a adaptação do texto foram feitas pela dupla formada pelo cartunista Jão e pelo jornalista e pesquisador em arte e história Oscar D’Ambrosio. Jão conta que resolveu fazer esse trabalho porque acredita que as HQs podem estimular a leitura de obras literárias, entre tantas outras possibilidades que sua linguagem oferece. Esse interesse pelo capitulo do texto clássico se deu pelo ritmo de ação alucinante, “uma característica que é muito bem-vinda quando se trata de quadrinhos”, afirma Jão. A obra está sendo lançada pela editora Noovha América e pode ser adquirida no site:

www.noovhaamerica.com.br.

Sobre Helder Lima
Jornalista, quase morsa, louco por livros usados, rock, psicanálise, gastronomia...Duas vezes no festival de Águas Claras

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