Deleuze pensa o conceito de ‘território’ como realização da arte

Deleuze e Guattari

Em 88 e 89, o filósofo francês Gilles Deleuze deu uma série de entrevistas à jornalista Claire Parnet, que foi compilada em mais de sete horas. Inicialmente, o acordo para esse trabalho era de que ele fosse apresentado somente após a morte do filósofo. Mas meses antes de falecer Deleuze acabou por assentir na divulgação das entrevistas, o que foi feito de novembro de 1994 a maio de 1995, no canal franco-alemão chamado TV Arte.

Para conduzir a entrevista, a jornalista elaborou um abecedário para que o filósofo desenvolvesse cada um dos 26 temas. Na letra ‘A’, Deleuze reflete sobre os animais e dentro desse tema trata do conceito de território, que ele e Félix Guattari desenvolveram no livro ‘O que é a Filosofia?’, de 1992.

Veja o que ele diz sobre território e arte:

Claire Parnet: Daí sua relação animal-escrita. O escritor, para você, é, também, alguém que tem um mundo?

Gille Deleuze: Não sei, porque há outros aspectos, não basta ter um mundo para ser um animal. O que me fascina completamente são as questões de território e acho que Félix e eu criamos um conceito que se pode dizer que é filosófico, com a ideia de território. Os animais de território, há animais sem território, mas os animais de território são prodigiosos, porque constituir um território, para mim, é quase o nascimento da arte. Quando vemos como um animal marca seu território, todo mundo sabe, todo mundo invoca sempre… As histórias de glândulas anais, de urina, com as quais eles marcam as fronteiras de seu território. O que intervém na marcação é, também, uma série de posturas, por exemplo, se abaixar, se levantar. Uma série de cores, os macacos, por exemplo, as cores das nádegas dos macacos, que eles manifestam na fronteira do território… Cor, canto, postura, são as três determinações da arte, quero dizer, a cor, as linhas, as posturas animais são, às vezes, verdadeiras linhas. Cor, linha, canto. É a arte em estado puro. E, então, eu me digo, quando eles saem de seu território ou quando voltam para ele, seu comportamento… O território é o domínio do ter. É curioso que seja no ter, isto é, minhas propriedades, minhas propriedades à maneira de Beckett ou de Michaux. O território são as propriedades do animal, e sair do território é se aventurar. Há bichos que reconhecem seu cônjuge, o reconhecem no território, mas não fora dele.

Trecho da entrevista no YouTube:

http://www.youtube.com/watch?v=_v1CkAdgdSw&feature=related

Conceitos do abecedário na entrevista:

A de Animal
B de Beber
C de Cultura
D de Desejo
E de Enfance [Infância]
F de Fidelidade
G de Gauche [Esquerda]
H de História da Filosofia
I de Idéia
J de Joie [Alegria]
K de Kant
L de Literatura
M de Maladie [Doença]
N de Neurologia
O de Ópera
P de Professor
Q de Questão
R de Resistência
S de Style [Estilo]
T de Tênis
U de Uno
V de Viagem
W de Wittgenstein
X de Desconhecido
Y de Indizível
Z de Ziguezague

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s