Suassuna diz que Calypso não representa a cultura brasileira

Helder Lima

O escritor Ariano Suassuna, que no último domingo reuniu 600 pessoas no Café Literário do Salão do Livro de Guarulhos, criticou as produções culturais pasteurizadas pela mídia e citou a banda Calypso como exemplo de produção cultural ruim no país. “Não posso tolerar o gosto médio e importado, a banda Calypso não representa a cultura brasileira”, afirmou.

O dramaturgo e romancista, autor da peça ‘O Auto da Compadecida’ e do livro ‘O Romance da Pedra do Reino’, falou por mais de uma hora, sempre bem humorado e arrancando risos da plateia. Já no início, Suassuna disse sobre o seu amor pela literatura. “Leitura é fundamental, não faço distinção entre a leitura e a vida”.

Suassuna foi idealizador do movimento Armorial, que surgiu em Recife (PE) em 1970, fazendo composições entre o erudito e popular para resgatar o espírito das manifestações relacionadas às raízes culturais do país.

O escritor falou da subjetividade na composição literária e deu como exemplo a obra de Graciliano Ramos (1892-1953). Contou que antigamente recebia pessoas em sua casa, perguntando ‘por que não escrevia um livro com Graciliano Ramos?` Suassuna explicou ao público que não havia como abrir mão de sua subjetividade. “O escritor vê o que entra em consonância com o universo dele”.

Ele disse também que Graciliano era “um sujeito amigo, mas introvertido, escreveu um livro chamado ‘Angústia’; não é à toa que ele via o mundo todo cinzento”. Depois completou: “O Graciliano via no sertanejo aquilo que estava no universo dele. Meus personagens são diferentes, não são amargos”.

Sobre sua atuação política – Suassuna foi secretário da cultura por duas vezes –, ele disse, com ironia, que não gosta de “ter cara de secretário”. Contou que quando menino, na Paraíba, “tinha um jumentinho e o nome dele era ‘secretário’”. Depois lembrou do tempo em que foi secretário de Miguel Arraes, governador do Pernambuco. “Eu fiz uma alavanca para discutir a cultura brasileira”. O escritor também frisou que não tem nada contra a cultura de outros países, e que deve muito a escritores como Miguel de Cervantes, autor de Dom Quixote de La Mancha, a obra inaugural do romance moderno, Dostoiéviski e Moliére.

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