‘Édipo Rei’ resgata para o leitor o passado esquecido

Há livros que são meros retratos de uma época e surgem e desaparecem sem deixar rastro, abandonados como o jornal velho, que no máximo serve para embrulhar peixe. Outros, no entanto, atravessam civilizações, irrompem no tempo e se fixam nos emblemas da cultura, louvados como eternos – lidos e relidos a cada geração, produzindo interpretações conforme a época e os costumes.

Édipo Rei, do escritor da Grécia Antiga Sófocles (496 aC – 406 aC), é uma dessas histórias imortais que o tempo faz ganhar relevo. Considerada pelo então filósofo Aristóteles (384 aC– 322 aC) como o mais importante exemplo de tragédia grega, a história narra o infortúnio de Édipo que a partir de uma peste que se abate sobre sua cidade, Tebas, tenta cumprir o desígnio dos deuses de vingar a morte de Laio, rei que o antecedeu. Nessa busca, ele descobre ter cumprido o destino de ter matado o pai e desposado a mãe.

O livro tem muitas edições. Uma busca por ‘Édipo Rei’ no portal de sebos online Estante Virtual vai revelar uma profusão de livros. Vale dar uma olhada no currículo do tradutor para verificar se a edição é de qualidade. O professor Trajano Vieira, da Universidade de Campinas (Unicamp), traduziu a história. As bancas de jornais também oferecem com preço acessível a edição de bolso da editora L&PM. Há ainda versões para o teatro, como a que Geir Campos publicou a partir de uma montagem em 1967, em Curitiba (PR), com Paulo Autran e Cleyde Yáconis como Édipo e Jocasta, a mãe-esposa. Essa edição é um registro histórico, com fotografias.

A importância dessa tragédia para a cultura ocidental foi redimensionada a partir de 1897, quando pela primeira vez Sigmund Freud, o pai da psicanálise, se referiu ao mito e sua significação em carta ao amigo e confidente Fliess: “O poder de dominação de Édipo Rei torna-se inteligível […]. O mito grego salienta uma compulsão que todos reconhecem por terem percebido em si mesmos marcas da sua existência”.  A expressão ‘complexo de Édipo’ surgiu em 1910, revelando a ambiguidade da criança de 3 a 5 anos em relação aos pais, de amor à mãe e hostilidade ao pai, ou de forma inversa. Esses sentimentos atuam na vida afetiva da criança e depois alguns de seus traços permanecem vívidos nas relações amorosas.

Com o mito de Édipo, o leitor busca encontrar em si alguns dos sentimentos sobre os quais não fazia ideia. A tragédia tem assim um poder transformador. Veja como Aristóteles a define em um texto chamado Poética: “É pois a tragédia imitação de uma ação de caráter elevado […] que, suscitando o terror e a piedade, tem por efeito a purificação dessas emoções”.

Édipo Rei, Sófocles – Onde Encontrar: www.estantevirtual.com.br.

O mito de Édipo Rei foi transposto para o cinema em 1967 pelo diretor italiano Pier Paolo Pasolini. Veja no trecho abaixo o momento em que Édipo mata o pai – note como o diretor explora o conteúdo dramático, levando os atores literalmente à exaustão:

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