Depravação na cultura vem de Portugal, diz FHC

Helder Lima, de Paraty (RJ)

Fotos: Thila Pedrozo

O ex-presidente e sociólogo Fernando Henrique Cardoso disse há pouco na abertura da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) que a depravação na história da cultura brasileira tem origem na cultura portuguesa. FHC falou para o público sobre o livro Casa Grande & Senzala, do sociólogo brasileiro Gilberto Freyre, obra que é homenageada pela edição da Flip deste ano.

Ao falar sobre depravação cultural na obra de Freyre, FHC relacionou traços da época da colonização do país, como a poligamia, que era permitida para que o território fosse povoado, e a violência contra os escravos. “A depravação não vem da cultura negra”, disse o ex-presidente, contrapondo-se ao pensamento preconceituoso de autores no passado, principalmente na época em que o livro de Freyre foi editado, como o escritor Oliveira Vianna.

Ao comentar a obra de Freyre, o ex-presidente atribuiu esse legado à influência da cultura mourisca em Portugal, já mesmo antes da colonização do país. Essa cultura era a que nos tempos pré-coloniais tinha origem nos países muçulmanos e que favorecia a mistura da cultura portuguesa com outras.

A conferência de FHC começou depois de um protesto de alguns moradores da cidade contra a sua presença na Flip. “Por que um sujeito que nos mandou esquecer tudo o que escreveu está aqui em Paraty, abrindo oficialmente a festa literária?”, dizia o panfleto distribuído ao público. Segundo os manifestantes, a organização da Flip não deveria ter convidado alguém que tem sua imagem atrelada a um partido político por se tratar de ano eleitoral.

FHC disse que a obra de Freyre é importante para que se compreenda o caráter da mestiçagem na cultura brasileira. Afirmou também que o livro Casa Grande & Senzala situa-se no contexto de outras duas obras importantes, também produzidas nos anos 30 e 40, como o livro Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, e História Econômica do Brasil, de Caio Prado Júnior.

Durante a palestra, o mediador Luiz Felipe de Alencastro tentou comparar Freyre com o trabalho do escritor e político Joaquim Nabuco, que estudou a escravidão no país, mas FHC destacou que o escritor Sérgio Buarque de Holanda é o principal contraponto ao sociólogo. “Holanda foi contemporâneo de Freyre, enquanto Nabuco o antecedeu”, afirmou.

Depois da palestra de FHC, foi realizado show de abertura, com Edu Lobo e o Quarteto de Cordas da Academia da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo). A Flip segue até o dia 8 de agosto, com a apresentação de escritores como Moacyr Scliar, Isabel Allende e o lendário cartunista Robert Crumb, que se apresentará no sábado, dia 7.

FHC: análise das origens do legado cultural do país, segundo Gilberto Freyre

Moradores realizam protesto contra a presença de FHC na Flip deste ano

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