Isabel Allende conta na Flip como fez seu novo romance

Helder Lima, de Paraty (RJ)

Fotos: Thila Pedrozo

A escritora Isabel Allende afirmou hoje na 8ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) que a ideia da abordagem da escravidão em seu novo livro, A ilha sob o mar, surgiu por acaso durante a pesquisa que fez ao longo de quatro anos para ambientar sua novela em New Orleans, Estados Unidos. Isabel narra a trajetória de Zarifé, uma negra que emigra do Haiti para a cidade americana. O título está sendo lançado na Flip.

“O tema da escravidão é importante para nos colocar diante da questão do poder absoluto”, afirmou a escritora. Isabel, que é peruana naturalizada chilena, disse que se interessa por escrever sobre o abuso de poder desde 1973, quando foi efetivado o golpe no Chile, que colocou Augusto Pinochet no poder. “Eu não seria escritora sem a revolta militar que me obrigou a sair do país”.

Sobre o seu estilo de escrever, identificado como ‘realismo mágico’ – uma aproximação entre a investigação da realidade e a ficção –, ela afirmou que adota essa fórmula porque acredita “que não existe explicação para tudo; o mundo tem muitos aspectos misteriosos”.  Como exemplo dessa perspectiva, ela disse que a revolta de escravos no Haiti só se realizou com base na força espiritual dos gurus.

O historiador inglês Peter Burke, professor emérito da Universidade de Cambridge e especialista em Idade Moderna, veio à Flip para abordar junto com o colega de profissão Robert Darnton o tema do futuro do livro face ao desenvolvimento do livro eletrônico, o chamado ebook. Burke disse não acreditar que o livro de papel venha a sucumbir com a nova tecnologia. “Ambas deverão conviver”, disse. Burke, no entanto, afirmou que os textos editados em livros serão menores no futuro. “O livro vai ficar menor, atualmente já é difícil editar obras grandes”.

A escritora cubana Wendy Guerra, que veio à Flip para lançar seu novo livro Nunca fui primeira-dama, fez críticas ao governo de Cuba em entrevista aos jornalistas. Ela disse que o socialismo cubano não funciona “porque ninguém é responsável por nada; é preciso encontrar um ponto de equilíbrio”.  As críticas da escritora a Cuba se justificam: seus livros já foram publicados em oito países, mas ela permanece inédita em seu país. Wendy vai falar no domingo para o público da Flip, com o tema ‘Cartas, diários e outras subversões’.

Isabel: 'Eu não seria escritora sem a revolta que me obrigou a sair do país'

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Um pensamento sobre “Isabel Allende conta na Flip como fez seu novo romance

  1. Que bom ter um resumo de qualidade como esse; assim fico por dentro dos acontecimentos. A fotógrafa também está de parabéns.

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