Rushdie trata do amor entre pais e filhos em novo livro

Helder Lima, de Paraty (RJ)

Fotos: Thila Pedrozo

Rushdie: 'criar um mundo no qual o leitor queira viver’

O escritor indiano-britânico Salman Rushdie disse hoje que o amor entre pais e filhos é a questão central de seu novo livro, Luka e o fogo da vida, que está sendo lançado na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que termina neste domingo. “O sentimento de criança é a nossa salvação. Por esse caminho, o livro trata da natureza do mistério e da imaginação de todos nós, criaturas imaginativas”, afirmou.

O novo título é uma fábula para jovens que segue a linhagem de Haroun e o mar de histórias, de 1998. Rushdie, que se celebrizou com Versos Satânicos, de 1989, na época censurado em vários países muçulmanos, disse que não há mensagens políticas em Luka e o fogo da vida. “É preciso distinguir o que é ficção do que não é. O interesse da ficção é envolver o leitor, é preciso criar um mundo no qual ele queira viver”.

Por conta desse interesse pela imaginação, que Rushdie chama de “mundo mágico”, o livro começa com a tradicional expressão “era uma vez”, recurso que para ele já indica um caminho a seguir.  Rushdie considera que o maior desafio de um escritor é como contar uma história e não o que contar.

O escritor diz também que assuntos complicados, como o tema do amor, devem ser tratados com linguagem simples. “As ideias complicadas podem ser ditas de uma forma saborosa”, afirmou. O escritor considera que obras para crianças e jovens são mais difíceis de serem feitas. “Tenho que voltar no tempo e escrever o livro que eu gostaria de ler nessa época”.

Rushdie arriscou um balanço dos 21 anos de publicação de Versos Satânicos. Disse que tem muitos leitores nos países muçulmanos e que as críticas à sua obra não vieram da sociedade muçulmana, mas do poder político. “Foi um ataque de cima para baixo”, afirmou. O escritor, que por causa de Versos Satânicos foi condenado à sentença de morte pelo então aiatolá Khomeini, lamentou o caso da iraniana Sakineh Ashtiani, de 43 anos e mãe de dois filhos, condenada à morte por adultério. “Seria bom evitar que essa pobre mulher fosse executada”. Ele não quis opinar sobre a política do governo Lula para o Irã, que ofereceu asilo a Sakineh.

Quadrinhos

Crumb e Shelton: histórias ‘loucas’ para alimentar os quadrinhos

Autor de Gênesis (2009), versão em quadrinhos do mais antigo livro da Bíblia, o lendário Robert Crumb, símbolo da contracultura nos Estados Unidos nos anos 60 e um dos principais destaques internacionais da Flip, disse que não teve dificuldade em transpor o universo bíblico para a linguagem dos quadrinhos. “O Gênesis é cheio de coisas loucas, como o pai que transa com a filha e isso é bom para os quadrinhos”, afirmou.

Crumb falou com a imprensa ao lado de Gilbert Shelton, outro lendário cartunista. Shelton é criador de Freak Brothers, quadrinhos da época da contracultura que abordavam a tríade sexo, drogas e rock’n’roll. “A história, o texto, é o elemento principal nos quadrinhos. O desenho pode até ser ruim”, afirmou Shelton, revelando um dos segredos dessa arte. Soou bastante interessante essa afirmação, já que a cultura contemporânea costuma valorizar as imagens.

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