Flip termina com saldo de 147 autores e 20 mil visitantes

Helder Lima, de Paraty (RJ)

Fotos: Thila Pedrozo

Com um saldo de 147 autores – 21 estrangeiros – e um público de 20 mil pessoas terminou ontem a oitava edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). A participação dos cartunistas Robert Crumb e Gilbert Shelton foi o destaque da programação do fim de semana.

Autor de Gênesis (2009), versão em quadrinhos do mais antigo livro da Bíblia, o lendário Crumb, símbolo da contracultura nos Estados Unidos nos anos 60 e um dos principais destaques internacionais da Flip, disse ao público que só veio ao evento por insistência de sua mulher, Aline Kominksky-Crumb, mas que gostou de saber que o Brasil “é o país das bundas grandes; e apesar de ser inverno tem muita coisa fora dos panos”, brincou.

Crumb e Shelton: humor dos quadrinhos para o palco na conversa com o público

Crumb disse que não teve dificuldade em transpor o universo bíblico para a linguagem dos quadrinhos. “O Gênesis é cheio de coisas loucas, como o pai que transa com a filha e isso é bom para a criação”, afirmou.  Ele também disse que decidiu levar a história para os quadrinhos porque ficou fascinado por ela, mas admitiu que foi criticado por seus fãs, “que acharam que eu tinha virado cristão e me vendido, e também por líderes religiosos”.

Crumb se apresentou ao lado de Gilbert Shelton, outro lendário cartunista. Shelton é criador de Freak Brothers, quadrinhos da época da contracultura que abordavam a tríade sexo, drogas e rock’n’roll. “A história, o texto, é o elemento principal nos quadrinhos. O desenho pode até ser ruim”, afirmou Shelton em conversa com a imprensa na sexta-feira, revelando um dos segredos dessa arte. Depois da palestra, ambos foram assediados pelo público, que formou longas filas para coletar autógrafos.

Saramago

A programação de sábado terminou com uma apresentação de 40 minutos com cenas inéditas do filme José & Pilar, que será lançado em novembro, sobre a vida do escritor José Saramago ao lado de sua esposa, Pilar Del Rio. O filme é do diretor-português Miguel Gonçalves Mendes, com co-produção do brasileiro Fernando Meirelles, que dirigiu Cidade de Deus (2002).

Mendes disse ao público que não está fazendo um filme sobre a obra de Saramago, mas sobre sua vida ao lado da esposa. Nas imagens mostradas, foi interessante notar como Saramago toma a decisão de abraçar a profissão de escritor aos 60 anos, depois de se ver sem perspectivas profissionais – ele havia trabalhado como funcionário público e também nos jornais portugueses. O livro Memorial do Convento, de 1984, foi a obra que definitivamente consagrou o escritor perante o público e os editores.

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