Galileu Galilei protagoniza romance de escritor brasileiro

Foto: Antonio Henriqson
O físico, matemático e astrônomo italiano Galileu Galilei (1564-1642) é o protagonista do romance de estreia de Gilberto Buchmann, do município de Campo Bom (RS) e autodidata em astronomia – o escritor mantém na internet uma cronologia astronômica que cobre 6 mil anos da história da humanidade, de 4.200 a.C. aos dias atuais.

Buchmann: fatos históricos e clima de suspense

No livro ‘O céu de Galileu’, Buchmann oferece ao leitor um romance histórico, em que a biografia de Galileu fornece os elementos para a construção da narrativa, toda ela recortada em planos temporais e de personagens, como num filme. Assim, a juventude de Galileu e seus últimos dias são dois percursos paralelos.  O conflito é motivado pela busca de um manuscrito do físico roubado pela Santa Inquisição, com cenas de suspense, crimes e perseguições, levando a história também para o gênero policial. Há ainda uma ação que se desenrola na Inglaterra e depois se cruza com o enredo principal.

Esse movimento de navegar entre os gêneros, mas sob um enfoque predominantemente histórico foi também uma característica que nos anos 80 permitiu grande sucesso ao romance ‘O Nome da Rosa’, do escritor italiano Umberto Eco. O título, aliás, marcou a estreia de Eco na literatura com uma história inserida na Idade Média e que virou filme, com o ator Sean Connery.

“Acontecimentos e personagens são inventados, entretanto dizem sobre a Itália da época coisas que os livros de história nunca disseram com tanta clareza”, afirmou Umberto Eco ao refletir sobre as razões que o levaram a escrever o romance. Essa declaração, que está num pequeno livro chamado ‘Pós-escrito a O Nome da Rosa’ (editora Nova Fronteira), serviria muito bem para o livro de Buchmann, que não esconde a intenção de encantar o leitor com fatos históricos.

É com esse espírito, por exemplo, que Buchmann narra o episódio da substituição do calendário Juliano, em 1582, para corrigir uma diferença em relação ao ano solar. Assim, por decreto do papa Gregório XIII, foram eliminados dez dias daquele ano: de 4 de outubro passou-se diretamente para o dia 15, implementando o que ficou conhecido por calendário gregoriano.

Outro momento interessante do livro está na contribuição de Galileu para o aperfeiçoamento dos instrumentos óticos de observação, como a luneta, que o permitiram fazer descobertas que acabaram por reforçar sua teoria heliocêntrica, contestada pela Santa Inquisição e que lhe custou um processo humilhante ao longo da vida.

“Galileu era dado a experimentar, demonstrar na prática o que ensinava, o que incomodava aqueles que se atinham estritamente a concepções teóricas e abstratas”, escreve Buchmann. Essa postura permitiu ao físico se tornar um dos pais da ciência moderna, contribuindo para a mudança dos métodos científicos, até então fundamentados no sistema aristotélico. O livro de Buchmann é também uma homenagem, já que o livro ‘Sidereus Nuncius’ (Mensageiro da Estrelas), obra capital de Galileu, completa 400 anos desde sua publicação em 1610.

O céu de Galileu,

Gilberto Buchmann, editora Arte Paubrasil – ‘A Girafa’, SP, 2010, 398 págs.

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