A possível influência do Brasil no nascimento de Barack Obama

O filme ‘Orfeu Negro’, produção ítalo-franco-brasileira, de 1958, dirigido por Marcel Camus (1912-1982) e baseado na peça ‘Orfeu da Conceição’, de Vinicius de Moraes (1913-1980), é a pedra fundamental do novo livro do jornalista e escritor Fernando Jorge, que traz no título a tese que defende: ‘Se não fosse o Brasil, jamais Barack Obama teria nascido’.

O escritor e jornalista Fernando Jorge

O texto com viés jornalístico e acompanhado de fotos parte da identidade entre Stanley Ann Dunham, mãe de Obama, e o filme, que ela assistiu em sua juventude, cerca de dois anos antes do nascimento do então futuro presidente. “Ann saiu deslumbrada do cinema e confessou que esse filme havia sido a coisa mais bonita que ela tinha visto na sua vida”, escreve Jorge, reportando-se ao capítulo seis do livro ‘A origem dos meus sonhos’, escrito por Obama em 1995, antes de entrar na política.

Vinicius transpôs o mito grego sobre a paixão de Orfeu e Eurídice para o cenário do carnaval no Rio, compondo o que poderíamos chamar de uma tragédia tropical. Orfeu é representado pelo ator Breno Mello, que na época guardava semelhanças físicas com Barack Hussein Obama sênior, o pai do presidente norte-americano.

Ann assistiu ao filme antes de conhecer o futuro marido e, por essa razão, Jorge sustenta que a identidade com o filme alimentou seu imaginário no romance com o rapaz africano no Havaí. Curioso notar que no texto o autor opera um deslocamento: o ator brasileiro é “quase sósia” do pai de Obama, quando para a mãe, naquela época, o então namorado seria o “quase sósia” do ator.

A tese do livro é uma hipótese que poderia se prestar a uma investigação da psicanálise, já que a ciência de Sigmund Freud trata também da formação das identidades entre as pessoas e as coisas, no caso, o filme. Mas Jorge prefere explorar os dados históricos, dando uma dimensão do que foi o racismo nos Estados Unidos nos séculos 19 e 20 e como esse ambiente influenciou a vida de Ann e sua aproximação com a cultura negra.

O texto preenche ainda lacunas dos livros da escola, em geral superficiais na abordagem da história recente. Jorge mostra, por exemplo, a face perversa da Ku Klux Klan, organização racista e violenta, que promovia linchamentos e enforcamentos públicos de negros nos anos 30. Essa é uma faceta da história que revela um povo norte-americano distante do anseio de democracia e igualdade que hoje é disseminado pela mídia.

O livro também mergulha em dados biográficos de Obama e Vinicius e traz uma análise das relações diplomáticas atuais entre Brasil e Estados Unidos, assumindo o contorno de uma grande reportagem. Jorge é autor de vários livros, entre eles, ‘Cala a boca, jornalista!’, que trata da selvageria do poder contra os profissionais da imprensa desde D. Pedro I, e ‘As Lutas, a Glória e o Martírio de Santos Dumont’, com a biografia do inventor do avião.

Se não fosse o Brasil, jamais Barack Obama teria nascido,

Fernando Jorge, editora Novo Século, SP, 2010, 270 págs.

Visite o site de Fernando Jorge.

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