A Proposição 19 e a opinião de escritores sobre a maconha

Uma lei que será votada no dia 2 de novembro na Califórnia (EUA), conhecida como Proposição 19, poderá mudar o debate e as políticas de combate às drogas. Se a maconha for descriminalizada, os californianos poderão portar até 31 gramas da erva para consumo próprio e cultivar a planta em área de até 2,3 metros quadrados. Atualmente, o uso medicinal da maconha é permitido em 14 estados americanos.

A Proposição 19 também prevê que as cidades autorizem o cultivo e a venda. Segundo o jornal Los Angeles Times, Oakland é um dos municípios que já se mostra favorável a adotar a lei, caso aprovada. A cidade também sinalizou que pode aprovar o projeto de uma ‘fábrica’ de maconha, que teria 5,5 mil metros quadrados para abrigar 30 mil plantas, com receita de 50 milhões de dólares por ano.

O ‘business’ é um argumento que costuma convencer os norte-americanos. Eles estimam que essa lei possa alavancar a arrecadação de 1,4 bilhão de dólares para demandas do setor público. Mas, no caso da maconha, o dinheiro não é tudo. Pesquisas de opinião mostram a população dividida. Outro fator que causa expectativa é que especialistas na questão das drogas não sabem prever os efeitos da eventual aprovação da lei no tráfico e na criminalidade, sobretudo na fronteira com o México.

Enquanto a lei não é votada, vale conferir o que três escritores dizem sobre a maconha, em épocas diferentes:

Gilberto Freyre, em ‘Casa Grande & Senzala’ (1933) – “Já fumamos a macumba ou diamba. Produz realmente visões e um como cansaço suave; a impressão de quem volta cansado de um baile, mas com a música ainda nos ouvidos… Alguns consumidores da planta, hoje cultivada em várias partes do Brasil, atribuem-lhe virtudes místicas; fuma-se ou ‘queima-se a planta’ com certas intenções, boas ou más. Segundo Querino, o Dr. J.R. da Costa Dória atribui-lhe também qualidade afrodisíaca. Entre barcaceiros e pescadores de Alagoas e Pernambuco verificamos que é grande ainda o uso da maconha”.

João Antônio Ferreira Filho, em ‘Malagueta, Perus e Bacanaço’ (1963) – “Jogava que jogava Caloi. Osso duro de roer. Deu trabalho a muitos tacos, era um artista, era um cérebro, um atirador. Mas deu também para mulheres e sua mão começava a tremer no instante das tacadas. Foi indo, indo, tropicando. Quando deu fé parecia um galo cego que perdeu o tino. Deu, então, para a maconha e uma feita ficou célebre – vez que um pixote lhe tomou quinze contos num dia de carnaval lá na Rua Barão de Paranapiacaba. Aquilo o encabulou, arruinou o seu juízo de jogador. A maconha desfez o homem, lhe apodreceu o cérebro e Caloi acabou falando sozinho, feito tan-tan de muita zonzeira lá num pavilhão do Juquerí”.

Maria Rita Kehl, em ‘O tempo e o cão’ (2009) – “De todas as experiências subjetivas que a história deixou para trás, talvez a mais perdida, para o sujeito contemporâneo, seja a do abandono da mente à lenta passagem das horas: tempo do devaneio, do ócio prazeroso, dedicado a contar e rememorar histórias. Uma experiência que os jovens buscam recuperar através do uso de certas drogas não-excitantes como a maconha, que fumam sozinhos ou em grupos – nesse caso, a troca de experiência ajuda a atenuar a angústia ante o retorno da temporalidade recalcada”.

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2 pensamentos sobre “A Proposição 19 e a opinião de escritores sobre a maconha

  1. Sendo descriminalizada ou não, a maconha continuará existindo e pq não facilitar todo este processo ? Sem crimes, sem traficantes, gerando empregos e auxiliando em tratamentos médicos.
    O mundo utiliza maconha…

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