Desbunde de Kerouac vai ao cinema com direção de Walter Salles

O diretor brasileiro Walter Salles lançará neste ano um documentário sobre o romance ‘On the road – Pé na estrada’, do escritor da geração beat Jack Kerouac, publicado originalmente em 1957. Como o livro, o filme de Salles deverá ser narrado em primeira pessoa, o que abre também a perspectiva para que o diretor exercite sua subjetividade – mas muitas coisas ainda são especulações de bastidores.

Kerouac: prosa espontânea, escrita em três semanas

De qualquer forma, esse novo trabalho indica que a obra de Kerouac continua atual, já que muitas vezes ela é tomada apenas como inspiradora da contracultura nos anos 60. A atualidade do livro de Kerouac está na atitude do desbunde, um basta na rotina de trabalho e obrigações que oprimem o sujeito.

Morando na região de Nova York, o narrador, Sal Paradise, cai na estrada em busca do Oeste na primavera de 1947, dando início a uma série de viagens e aventuras, que têm em comum a procura por um significado para a existência, cruzando um país imenso, de carona e sem dinheiro.

O livro foi inspirado nas viagens reais de Kerouac, que o escreveu em rolos de papel, para não ter de trocar a folha da máquina de escrever, em apenas três semanas. As viagens contadas no livro têm um sentido humanizador. Entre vagabundos e viajantes sem destino, o narrador inverte o sonho de consumo norte-americano e descobre no ‘outro’ o sentido de si mesmo, sua razão de ser.

São muitas as histórias de personagens que Kerouac conta ao longo de ‘On the Road – Pé na estrada’, todas cheias de energia e paixão pela vida, como a de Big Slim, um vagabundo que virou mito entre os andarilhos do Oeste americano, ou a de Dean Moriarty, seu parceiro de viagem, um sujeito estranho, fora dos padrões, interessado em viver em liberdade, fazer sexo e ouvir jazz, mais do que qualquer outra coisa.

Faz bastante sentido mergulhar nas viagens de Kerouac nos dias de hoje, principalmente porque o ‘outro’ se torna a cada dia mais invisível perante as conveniências que mantemos.

Sob vento e tragos de uísque

Neste trecho, Kerouac expressa sua liberdade viajando na caçamba de um caminhão:

“É demais!”, gritei envolto pela brisa, e tomei outro trago e agora realmente estava me sentindo maravilhosamente bem. Cada gole era enxugado sob o vento esvoaçante de um caminhão sem capota, enxugado de seus efeitos maléficos enquanto o efeito bom afundava em meu estômago. “Cheyenne, lá vou eu”, cantarolei. ”Ei Denver, te prepara para receber este garoto.”

On the road – Pé na estrada,

Jack Kerouac, editora Brasiliense, SP, 1984, 326 págs.

Onde encontrar – Estante Virtual.

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