Gérard Lebrun esmiuça os significados de ‘poder’ na filosofia

Hobbes é o filósofo central de ‘O que é poder’

A palavra ‘poder’ permite infinitos pensamentos e especulações. A própria sabedoria popular se incumbe de dar sentidos ao termo, mas muitos deles são crenças, ilusões que matam o espírito de uma verdadeira discussão. Um exemplo é a opinião de que o poder precisa ser aniquilado da face da Terra, como se fosse possível viver em um estado de perfeita harmonia, cada um por si, sem o conflito entre interesses individuais e coletivos.

Essa discussão sobre os significados da palavra, considerando a história do pensamento político, é o eixo do livro ‘O que é poder’, lançado em 1981 pela editora Brasiliense, de autoria do professor francês de filosofia Gérard Lebrun (1930-1999), que também lecionou na Universidade de São Paulo (USP).

O pequeno livro pertence à coleção ‘Primeiros Passos’, que desde os anos 80 faz sucesso entre universitários e leitores que desejam ter noções iniciais de assuntos ligados principalmente às Ciências Humanas. O título está até hoje no catálogo das livrarias e pode ser também encontrado em sebos por cerca de R$ 5.

Fora a questão do poder do Fundo Monetário Internacional (FMI) que introduz o texto, um poder que hoje pode soar estranho para os leitores que se referenciam pela força que o país adquiriu no governo Lula, o livro é atual e conquista o leitor  com uma ampla e concisa análise do pensamento político desde a Grécia Antiga.

O texto do professor Lebrun toma por principal objeto a obra ‘Leviatã’, do filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679), que disseca a emergência do Estado e da sociedade em meio à monarquia absolutista na Europa.  Hobbes define o Estado, por exemplo, como “uma pessoa” que representa a multidão, perante um pacto entre todos, e que pode usar a força ou os recursos de todos para manter a paz e a defesa comum.

Marca das relações do corpo social

Mas qual é o sentido de ler ‘O que é poder’ nos dias de hoje? Essa “pessoa” que representa o interesse coletivo, como afirma Hobbes, está disseminada entre ‘poderes’ que nos cercam no dia a dia, como diz Gerard Lebrun:

“Em suma, o poder não é um ser, ‘alguma coisa que se adquire, se toma ou se divide, algo que se deixa escapar’. É o nome atribuído a um conjunto de relações que formigam por toda a parte na espessura do corpo social (poder pedagógico, pátrio poder, poder do policial, poder do contramestre, poder do psicanalista, poder do padre, etc., etc.). Por que, nestas condições, conferir tanta honra ao tradicional e arcaico poder de Estado, constituído na época das monarquias absolutas europeias?”

O que é poder,

Gérard Lebrun, tradução de Renato Janine Ribeiro e Sílvia Lara Ribeiro, Editora Brasiliense, São Paulo, 1981, 128 págs.

Onde encontrar – www.estantevirtual.com.br

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