Gosto pela leitura começa em casa, com o exemplo dos pais

Sábato via prejuízos para a mente de quem fica 'monotonamente' à frente da televisão

A ideia de pegar uma criança no colo e ler com ela um livro infantil ou mesmo jornal, gibi ou revista pode significar uma revolução em seu futuro, abrindo portas e portas para ela se tornar uma pessoa culta e de espírito crítico.

Os especialistas em educação chamam esse processo de ‘letramento’. Trata-se de um ato quase banal, mas que no cotidiano da família fica esquecido por conta da rotina de trabalho massacrante dos pais ou outras questões.

“Os pais têm papel estratégico no aprendizado e gosto pela leitura pelo fato de que a criança aprende pelo exemplo do outro”, afirma a psicopedagoga Yara Prates, que atua com consultoria de livros infantis. Esse aprendizado pode ser notado quando a criança imita as atividades do adulto.

Yara diz que outro fator para estimular o gosto pelos livros é inserir a leitura na rotina da criança. “A rotina faz com que a criança se sinta segura; ela cria expectativa pela repetição das atividades”. Cinco ou dez minutos de leitura por dia, antes de dormir, por exemplo, faz com que em pouco tempo a criança aprecie esse momento.

Vale também programar a rotina da criança para limitar o uso da televisão e de videogames. Os pais chegam a ‘abandonar’ seus filhos da frente da TV, até mesmo por preguiça. “Ficar monotonamente sentado na frente da televisão anestesia a sensibilidade, torna lerda a mente, prejudica a alma”, escreveu o argentino Ernesto Sábato, no livro ‘A Resistência’, de 2000 – Sábato faleceu no dia 30 de abril, aos 99 anos.

Delegar o aprendizado da linguagem apenas à escola, portanto, pode ser um deslize. Quando chega à escola, a criança já tem experiência no mundo da linguagem e da cultura, que ela traz do convívio com os pais. As letras só vão enriquecer sua visão de mundo.

Para ler com as crianças

Filhote de cruz-credo, de Fabrício Carpinejar, com ilustrações de Rodrigo Rosa, editora Arte Paubrasil, 40 págs., R$ 27 – Esse livro trata da prática do bullying entre as crianças, por meio da história de Fabrito, um menino feio que recebia diversos apelidos entre os colegas, como Cara de morcego, Cavalinho de pau. A história tem traços autobiográficos, é narrada com humor, mas não perde de vista a angústia de quem é alvo do problema.

ABC, meus primeiros passos na leitura e na aprendizagem, editora Salvat É uma coleção para crianças de 4 a 7 anos, que a cada semana traz um exemplar nas bancas (R$ 9,90). As edições têm histórias em forma de versos e são ricas em ilustrações. Seus temas são o alfabeto, números, cores, formas, horas e as estações do ano, procurando despertar a curiosidade sobre o mundo.  Os textos lançam mão de rimas e jogos de palavras para ajudar na fixação dos conteúdos.

Na rua da Aquarela, de Gabriella Mancini, com ilustrações de Vera Andrade, editora Arte Paubrasil, 36 págs., R$ 24 – A celebração da vida a cada encontro com o outro é o tema deste livro que, por meio da alegoria das cores, conta a história de Clara e Beto – ela vê o mundo em amarelo e ele em azul até que se encontram e começam a perceber as coisas de forma diferente. Esse livro é o primeiro publicado pela jornalista, que nasceu em Belo Horizonte (MG).

Fotos: Divulgação

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