A história do criador do WikiLeaks em biografia não autorizada

Assange defende o direito à informação com vazamento de documentos secretos

Justiça, paz, transparência e democracia são valores desprezados quando um governo tenta instrumentar sua ação para manter ou ampliar poder. Se um político trabalha um projeto em segredo, ele deixa margem para que seus passos se confundam com atos conspiratórios. O que se nega às pessoas é o direito de acesso à informação.

A imprensa se pauta pela busca de transparência e divulga o conteúdo de documentos sigilosos. Mas nada se compara à onda de vazamentos de informações promovida pelo site WikiLeaks a partir do fim de 2010. Foram 250 mil telegramas da rede diplomática americana em novembro. Em abril deste ano, documentos do Pentágono revelaram que os Estados Unidos usaram expedientes ilegais para obter informações de civis afegãos presos em Guantánamo, e que 150 deles eram inocentes.

Na avalanche de informações, líderes políticos do mundo foram desqualificados em telegramas. O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, por exemplo, foi descrito como “irresponsável, vão e pouco eficaz como líder europeu moderno”. Veio à tona que os americanos monitoram as relações entre Brasil e Irã preocupados com implicações na área nuclear.

À frente do site, o hacker australiano Julian Assange despertou a raiva dos governos, principalmente dos Estados Unidos. Assange está preso no Reino Unido sob acusação de suspeita de assédio sexual e estupro, mas também tem sido reconhecido como um herói na defesa do direito à informação. No início do mês, por exemplo, ele recebeu em Londres um prêmio da Fundação Sydney da Paz, ligada à Universidade de Sydney.

Mas, afinal, quem é Julian Assange? As jornalistas americanas Valerie Gichaoua e Sophie Radermecker viajaram para Austrália, Islândia, Suécia e Inglaterra em busca de entrevistas e escreveram a biografia não autorizada do australiano. ‘Julian Assange, o guerreiro da verdade’ resgata a trajetória desse hacker que adotou uma postura em defesa da liberdade de informação e que coloca em questão o papel da mídia e dos governos, afinal, como lidar com a transparência das informações?

As jornalistas contam a infância de Assange, as convicções libertárias de sua mãe, que foi jovem em meio ao movimento hippie nos anos 60, a paixão incontida de Assange pelos computadores, e como ele se especializou em quebrar a segurança de sistemas para obter dados secretos. Percorrem também a gênese do site, que promoveu seu primeiro vazamento de informações em 2006, e os bastidores dos acordos de Assange com a mídia.

Em uma das entrevistas do livro, Henrik Alexandersson, assistente do Partido Pirata sueco afirma que o WikiLeaks nos leva a pensar sobre a verdade. “Escrevi outro dia um bilhete em meu blog onde lembrei que o elemento-chave a não se esquecer nessa história é que o WikiLeaks traz a verdade. Essa verdade pode ser incômoda, mas é o WikiLeaks que dá a verdade. São os políticos e funcionários que mentem e tentam dissimular as coisas”.

Julian Assange, o guerreiro da verdade,

Valerie Gichaoua e Sophie Radermecker, tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves, Thaïs Costa e Denise Tavares Gonçalves, Editora Prumo, 2011, 312 págs., R$ 39,90.

Fotos: Divulgação

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