Jornalistas contam histórias do tempo da ditadura

A ditadura no Brasil, de 1964 a 1985, é uma página virada da história, mas seus personagens estão vivos e têm boas histórias para contar aos jovens, que felizmente hoje não conhecem um regime diferente da democracia. O Instituto Vladimir Herzog, criado em 2009 para preservar a memória do jornalista que morreu nos porões da ditadura em 1975, reuniu depoimentos de 60 jornalistas que foram presos naquela época, em uma coleção de 12 DVDs com o título ‘Os protagonistas desta história’.

Ivo: imprensa no exílio ganha oportunidade para ser conhecida

A maior parte desse grupo trabalhava na imprensa alternativa, em jornais como ‘Pasquim’, ‘Movimento’, ‘Opinião’ e ‘Em Tempo’. Havia também a imprensa clandestina, frente em que atuou o jornalista Franklin Martins, ligado ao movimento de resistência MR-8 e que foi ministro da Comunicação Social no governo Lula. Ao final de seu depoimento de três horas, o jornalista causou surpresa ao revelar que naquela época entrou nos EUA com passaporte falso.

Havia também a imprensa no exílio. Um jornal editado em Paris e que era referência para os exilados chamava-se ‘O Debate’; na Albânia, a transmissão de textos em português na Rádio Tirana era feita por brasileiros, indicados pelo PC do B. “Até começar esse projeto, nós não conhecíamos a imprensa no exílio”, afirma Ivo Herzog, filho do jornalista, fundador do Instituto Vladimir Herzog e à frente do movimento ‘Resistir é preciso…’, que identifica a coleção de DVDs.

Herzog acredita que os depoimentos podem ajudar os jovens a discernir ideologia de consciência, dois termos sobre os quais existe considerável confusão. “Hoje é difícil para o jovem encontrar referências sobre quem seguir e, dessa maneira, construir sua opinião. O trabalho do Instituto é voltado para gerar elementos à reflexão”, afirma.

A contribuição para o conhecimento dos jovens também é a preocupação de Cloves de Castro, que atuava no Partido Comunista, conhecido como ‘Partidão’, e depois na ALN (Aliança Libertadora Nacional). Castro diz que é mais metalúrgico do que jornalista, mas o fato é que ele deu importante contribuição à resistência, angariando fundos para as publicações clandestinas.

No lançamento da coleção, onde funcionava o antigo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), na praça General Osório, perguntei a Castro o que era mais difícil de lembrar sobre essa época. Ele fez referências à presença da morte. “Você encontrava um companheiro hoje e não sabia se voltaria a vê-lo no dia seguinte; isso é o que eu narro com maior dificuldade, eram mortes por assassinato, atropelamento”. Castro foi preso durante 2,5 anos. Sobre as prisões, ele diz que “o clima era de terror 24 horas por dia; cada vez que tocava a campainha a gente não sabia se era um companheiro que estava chegando ou se um de nós seria interrogado, ou torturado”.

 

Os protagonistas desta história,

Instituto Vladimir Herzog e Movimento “Resistir é preciso…”

Onde encontrar: http://www.vladimirherzog.org/ e http://www.resistirepreciso.org.br/

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