Mito e realidade na morte de Evita Perón

Mural na fachada do ministério da Ação Social homenageia a primeira-dama

A notícia de que a presidente argentina, Cristina Kirchner, inaugurou em Buenos Aires dois enormes murais em homenagem aos 59 anos da morte de Evita Perón, mitológica primeira-dama do país, conhecida como mãe dos pobres, me fez lembrar um romance fantástico chamado ‘Santa Evita’, do escritor e jornalista argentino Tomás Eloy Martínez (1934-2010).

Publicado originalmente em 1995, esse romance trata da trajetória de Evita, que foi além de sua morte, em 26 de julho de 1952, aos 33 anos. Evita foi dizimada por um câncer no útero, que a fazia perder muito sangue. A morte foi uma comoção nacional e o presidente Juan Domingo Perón mandou embalsamar o corpo da ‘senhora’, como era chamada, criando um símbolo de imortalidade na cultura, que se transformou em um fardo para o país quando Perón sucumbiu a um golpe militar de direita, três anos depois.

Com as técnicas de jornalista e romancista, Martínez remonta a história sinistra do corpo, que foi seqüestrado pelos militares, passou por diferentes lugares na capital portenha, foi violado por um capitão necrófilo e chegou a ficar escondido por 16 anos na Europa até que um acordo político pudesse resgatá-lo para o país.

Além da história do cadáver, o escritor relata a biografia de Evita e adota um eixo de metalinguagem, em que revela ao leitor qual é a matéria-prima que adotou para fazer o livro, como as sete fitas cassete de conversa com Aldo Cifuentes, uma importante fonte para reconstituir os passos do coronel Carlos Eugênio de Moori Koenig, guardião do corpo embalsamado, cujo retrato Martínez recria com talento.

O romance que emerge desses três eixos é o resultado híbrido de ficção e realidade. Martínez adotou essa postura porque encontrou grande quantidade de versões e invenções nas várias entrevistas que fez: “As fontes em que se baseia este romance são de confiança duvidosa, mas somente no sentido em que também o são a linguagem e a realidade: nelas se infiltraram lapsos de memória e verdades impuras”, escreve. O livro é, assim, um grande romance, mas também referência do papel de Evita na história política da Argentina.

Santa Evita,

Tomás Eloy Martínez, tradução de Sérgio Molina, Companhia das Letras, SP, 1996, 338 págs.

 

Foto: Divulgação

 

Volpato estreia na literatura infantil

Ao som de Beatles, o jornalista e escritor Cadão Volpato lançou no último sábado, na Livraria da Vila, Vila Madalena, seu primeiro título como autor infantil e ilustrador.  ‘Meu filho, meu besouro’ traz poemas e desenhos para pais e filhos lerem juntos.

O livro procura facilitar uma conversa sincera entre as duas gerações e sugere uma troca de experiências, um aprendizado conjunto em que a admiração é mútua. Os poemas iniciais espelham a ideia do indivíduo e seus valores, o que gradativamente dá lugar ao coletivo, à inserção do sujeito na família e na sociedade, mostrando outros valores.

Meu filho, meu besouro,

Cadão Volpato, editora Cosac Naify, SP, 40 págs., R$ 35.

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