O detetive durão que criou o gênero policial

Hammett foi copiado à exaustão pela indústria cultural

Poucas coisas são mais desafiadoras para um homem do que uma mulher bonita e sedutora, mas ao mesmo tempo mentirosa, falsária. Como enfrentar uma situação dessas?

Esse é o desafio vivido por Sam Spade, o detetive durão do romance ‘O Falcão Maltês’, obra máxima do escritor americano Dashiell Hammett (1894-1961), que em 1930 foi uma das fundadoras do romance policial nos Estados Unidos, também conhecido por romance ‘noir’, que logo contaminou o cinema de Hollywood.

Spade se enreda com uma jovem que o procura em seu escritório em São Francisco, em busca de ajuda para reencontrar a irmã que fugira de Nova York na companhia de um sujeito chamado Floyd Thursby.

Miles Archer, sócio de Spade, sai à noite para seguir o suspeito e é assassinado. Pouco depois, o tal Thursby também é assassinado – os dois crimes dão início a um clima de suspense, que Spade começa a desvendar ao denunciar as mentiras da jovem senhorita Wonderly, que depois ele descobre se chamar Brígida O’Shaughnessy.

Spade é marcado por uma ambiguidade moral, entre se deixar seduzir e fazer prevalecer seu senso de justiça. Isso, no entanto, não o impede de investigar os crimes enquanto, ao mesmo tempo, busca ao lado dos criminosos encontrar uma relíquia, a estatueta de um falcão da Idade Média, que é pivô da história. Avaliada em um milhão de dólares, a estatueta é cravada de pedras preciosas e Spade faz um jogo de alianças e traições com os personagens que disputam o tesouro sem escrúpulos.

Em 1941, a Warner lançou o filme que também virou referência para o cinema, com o roteiro e direção de John Huston. Foi com esse filme, aliás, que Huston estreou na direção. Antes dele, por duas vezes tentaram colocar o romance na telona, mas sem a fidelidade que Huston tributou à obra literária. Outro ícone do cinema, o ator Humphrey Bogart fez o papel do protagonista Sam Spade.

O escritor Dashiell Hammett criou uma figura extremamente popular na época, que se identificava com os americanos, cuja cultura tinha um forte caráter machista. Mas até hoje o livro e o filme são obrigatórios para quem gosta do gênero.

Hammett chegou a ser criticado por fazer uma literatura menor, sem riqueza de significados. Também foi acusado de deixar tudo muito explicado e de escrever pensando na roteirização para o cinema. Isso, no entanto, não impede que o livro continue fazendo sucesso entre os leitores, como uma obra de referência que não se desgasta, apesar de ter sido tão copiada pela indústria cultural.

O Falcão Maltês,

Dashiell Hammett, Companhia das Letras, SP, 2001, 296 págs.

Fotos: Divulgação

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