Contar histórias para sair da obscuridade

O que é contar uma história? Saí com essa pergunta das páginas de ‘Coisas Frágeis’, do escritor e quadrinista inglês Neil Gaiman, que reúne nove contos ao sabor de fantasias que se colocam como nos sonhos, nos deixando entretidos com seus possíveis significados.

A pergunta parece tola ou óbvia, mas pulsa nas histórias do livro desde seu título provisório, segundo o escritor revela na introdução: ‘Essas Pessoas Devem Saber Quem Somos e Contar que Estivemos Aqui’.

Esse título, que inspirou a ideia do livro, é uma referência a um quadrinho de Art Spiegelman, publicado em sua famosa coletânea de tiras ‘A Sombra das Torres Ausentes’. O título também responde a pergunta tola, naquilo que contar uma história tem de mais essencial: quem não diz quem é e por que está aqui vai morrer sem deixar seu registro na história de humanidade.

Gaiman lançou ‘Coisas Frágeis’ em 2006 (foto: Kyle Cassidy)

Já o título ‘Coisas Frágeis’, por sua vez, surgiu de uma frase que Gaiman escreveu ao acordar de um sonho: “Acho… que prefiro me lembrar de uma vida desperdiçada com coisas frágeis, a uma vida gasta evitando a dívida moral”. Gaiman confessa não saber ao certo o significado disso, mas teve a ideia do título ao ouvir a frase, tempos depois, repetida em uma música de uma banda de rock alternativo americana, chamada One Ring Zero.

No livro, onde a questão da importância de contar uma história para dar vazão à vida se coloca com todas as letras é no conto ‘A Vez de Outubro’.  Gaiman personifica os 12 meses do ano e os situa em uma reunião, sentados ao redor de uma fogueira, bebendo e comendo, em que cada um tem sua vez de assumir uma posição de destaque e contar uma história.  Assim, o conto tem outras histórias dentro de si e Outubro nos leva a pensar se podemos escolher “quem somos”.

Em ‘Um Estudo em Esmeralda’, a narrativa de Gaiman mistura dois mundos da literatura clássica, revisitando o personagem Sherlock Holmes, de Sir Arthur Conan Doyle, e H.P. Lovercraft, este um escritor americano voltado às histórias de terror. Mas Gaiman faz isso pondo em perspectivas os elementos fantasiosos que permeiam seus contos e também ironizando a investigação dos sinais e vestígios de um crime, afinal, nesta história que regressa ao século 19, o criminoso também sabe usar o método investigativo.

Os leitores que comentam sobre esse livro na rede Skoob destacam que todos os contos são bons e interessantes. Um dos preferidos é também ‘Golias’, escrito para o lançamento do filme ‘Matrix’, lançado em 1999. O conto foi divulgado na internet no site do filme e ainda pode ser acessado. Uma leitora do Skoob classificou o livro como genial e “lisérgico”.

Coisas Frágeis,
Neil Gaiman, tradução de Micheli de Aguiar Vartuni, editora Conrad, SP, 2010, 205 págs.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s