Biografia discute a vida sexual de Gandhi

A vida de Gandhi (1869-1948), líder espiritual e político fundamental para a Índia conquistar sua independência da Inglaterra em 1947, é amplamente conhecida por meio de sua autobiografia e outros textos, mas para o historiador inglês Jad Adams faltava uma biografia que colocasse em evidência a personalidade do líder, uma espécie de face oculta do santo, trazendo à tona as características que se mostram na intimidade e nas relações com a família.

Para realizar ‘Gandhi: ambição nua’, Adams, que é pesquisador da Escola de Estudos Avançados da Universidade de Londres, consultou boa parte da literatura existente no assunto, construída com depoimentos de testemunhas oculares, mais diários e extensas biografias dos secretários de Gandhi.

Gandhi dormia ao lado de mulheres nuas para provar que era capaz de manter castidade

Adams partiu da investigação do voto de castidade de Gandhi, que ele fez cerca de seis anos após o seu casamento, aos 13 anos, para construir uma narrativa que joga luzes sobre as diversas formas como o líder sustentava sua opção.

Apesar da convicção na castidade, Gandhi se submetia a massagens eróticas e dormia ao lado de mulheres nuas no ashram, casa espiritual em que homens e mulheres ficavam separados, e chegava a causar protestos entre os homens que tinham de manter a castidade e ao mesmo tempo ver suas esposas em companhia do líder. Gandhi justificava sua atitude como demonstração de que podia dominar o impulso sexual.

O livro provocou polêmica no Reino Unido e Índia quando foi lançado em 2010. Sua abordagem meio que desnuda Gandhi do mito do homem que ensinou a força da não violência e instigou a desobediência civil em nome da dignidade humana. Segundo Adams, Gandhi escreveu muito sobre sexo e tinha uma personalidade em que predominavam os traços obsessivos, seja por sua busca de perfeição espiritual ou pelos enemas (lavagens intestinais) diários que realizava porque sofria de constipação.

Um dos episódios que revela a contradição entre o líder e o pai de família ocorre em 1924, quando Gandhi pratica jejum para defender a união hindu-muçulmana. Disso resultou uma conferência de 200 líderes religiosos, todos concordando que os muçulmanos continuassem a abater vacas, e os hindus tocassem suas músicas, não importando se fossem ouvidas nas vizinhanças das mesquitas.

Mas quando seu filho Manilal, em 1926, pediu autorização para se casar com a filha de um comerciante muçulmano, Gandhi rechaçou a ideia e fez ameaças ao rapaz, que perderia o emprego como diretor do jornal Indian Opinion, seria cortado da família e não mais poderia viver no país. “O respeito por outras culturas era mantido desde que umas ficassem distantes das outras”, escreve Adams.

Gandhi: ambição nua,

Jad Adams, tradução de Fulvio Lubisco, Geração Editorial, SP, 2012, 453 págs.

Fotos: Divulgação

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