Os segredos da arte do diretor Sidney Lumet

O livro ficou sobre a mesa algumas semanas, abandonado. O receio era que ele fosse técnico, com descrições e detalhes que impedissem uma leitura fluida e cativante. Ledo engano. Já no prefácio, o autor diz a que veio e começa a encantar o leitor: “…tentarei contar da melhor forma possível como os filmes são feitos. É um processo técnico e emocional complexo. É arte. É comércio. É doloroso e é divertido. É um excelente modo de viver.”

Quando o diretor norte-americano Sidney Lumet (1924-2011) escreveu ‘Fazendo filmes’, ele não estava em busca de fofocas ou intimidades dos bastidores de seus filmes, mas queria dividir com o leitor suas experiências depois de ter dirigido mais de 50 filmes, entre eles, ‘Um dia de cão’ e ‘Serpico’, ambos com Al Pacino, ‘Assassinato no Oriente Expresso’ e ‘Rede de intrigas’, este ganhador de quatro estatuetas do Oscar.

Lumet narra experiência com mais de 50 filmes

Para o leitor, mergulhar no delicioso e sincero texto de Lumet, em que cada etapa da produção de um filme é esmiuçada, significa aproveitar a oportunidade para compreender mais sobre o que está escondido nas imagens da próxima vez que se sentar à frente da grande tela. “Nos capítulos subsequentes, espero ilustrar como o conceito de nostalgia afetou cada um dos departamentos que trabalharam no Oriente Expresso”, afirma Lumet sobre o percurso do livro. O filme, de 1974, foi feito com base num romance escrito 40 anos antes por Agatha Christie (1890-1976).

O que mais me chamou atenção nas páginas iniciais de ‘Fazendo filmes’ é a abordagem que Lumet dá ao tema de cada filme, discutindo previamente com atores e produtores qual a noção fundamental que norteará o trabalho. Trata-se de um tipo de abordagem que pode ser comum a outras formas de arte, como a literatura e o teatro.

“Do que trata o filme”, pergunta Lumet em diversos momentos. “Aquilo de que trata o filme determinará como será constituído o elenco, como será o resultado final, como será montado, como será sua partitura musical e, com um bom estúdio, como será lançado. Aquilo de que trata o filme determinará como ele deve ser feito”, conclui.

Foi com esse espírito, por exemplo, que Lumet decidiu abolir o figurino para filmar ‘Um dia de cão’, na tentativa de que os atores ficassem o mais próximo possível daquilo que eram na vida real. Com Al Pacino no papel principal, o filme conta a história de um homossexual que assalta um banco para que o namorado possa fazer uma operação de mudança de sexo. A estratégia de Lumet foi evitar que o filme caísse no ridículo em algum momento. “Mas quando se toca em sexo e morte, dois aspectos da vida que atingem o mais fundo de cada um, não há como saber o que o público fará”.

 

Fazendo filmes,

Sidney Lumet, tradução de Luiz Orlando Lemos, editora Rocco, coleção Artemídia, RJ, 1998, 208 págs.

Foto: Divulgação

 

 

 

 

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