Direito de expressão

O artista e ativista chinês Ai Weiwei, nascido em Beijing em 1957, ganhou a mídia internacional depois que passou 81 dias preso, de 3 de abril a 22 de junho de 2011, por ordem do governo da China.

Weiwei vinha escrevendo em seu blog críticas às autoridades do país, além de falar de arquitetura, arte e fotografia, quando o governo determinou sua prisão e encerrou o blog. Depois que foi solto, o artista foi proibido de viajar ao exterior, de fazer discursos e passou a ser vigiado permanentemente.

Esse fato bastou para o Ocidente se solidarizar com a causa do artista. Sua história já virou documentário, peça de teatro, atraiu o interesse para suas exposições e gerou o livro ‘O Blogue de Ai Weiwei – Escritos, entrevistas e arengas digitais’, com textos e entrevistas publicados entre 2006 e 2009, antes da ação de extermínio do blog.

Ai Weiwei ficou preso por 81 dias por causa de críticas ao governo chinês (foto: divulgação)

Ai Weiwei ficou preso por 81 dias por causa de críticas ao governo chinês (foto: divulgação)

O autoritarismo da China pode ser exercido sob a bandeira do Comunismo, o que os liberais e conservadores do Ocidente adoram, mas não é isolado. A história da humanidade é repleta de momentos assim, de exceção, em que se procura sufocar o que é novo, contraditório ou contra o senso dominante. A ditadura do Brasil exerceu barbárie e tortura com o apoio dos Estados Unidos, o símbolo do capitalismo.

E é claro que o governo chinês não conseguiu calar o artista. Pelo contrário, projetou seu nome para o mundo ao tentar ferir seu direito de expressão. “No início, fiquei animado com o blog porque percebi que era uma maneira de fazer comunicação direta, algo que sempre desejei. Em meu primeiro post, em 2005, havia uma única frase: ‘Para se expressar é preciso ter uma razão; a sua expressão é a razão’”, escreve Weiwei em artigo do publicado em 15 de abril no site do jornal inglês The Guardian.

Weiwei acredita que essa razão se fortalece diante da manipulação da opinião pela mídia: “Na China, os meios de comunicação são propriedade do estado autoritário, que usa a força bruta para controlar a informação. Desde 1949, a mídia não revela nem sequer uma porta rachada; mesmo quando eles querem divulgar um fato simples, há sempre a intenção de fazer propaganda política”, afirma.

Creio que a realidade da China vale também para outros países. No Brasil, a situação é diferente e igual ao mesmo tempo. Diferente, porque aqui, em lugar da força bruta, existe a ação de bastidores, como foi o caso do bicheiro Carlinhos Cachoeira, e toda sua influência sobre a revista Veja.  E igual porque anda difícil ler notícias isentas na velha imprensa, que aposta no desastre o tempo todo, exercitando um discurso conservador que acaba, como na China, projetando o nome de seus supostos inimigos e algozes.

Ai Weiwei - capa2O Blogue de Ai Weiwei – Escritos, entrevistas e arengas digitais,

Ai Weiwei, organização de Lee Ambrozy e tradução de Cristina Cupertino, editora Martins Fontes, SP, 2013, 322 págs.

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