Onda de erotismo na literatura

Nabokov escreveu um dos mais importantes romances do século 20

Nabokov escreveu um dos mais importantes romances do século 20

Na onda das histórias eróticas, fiz uma busca em minha bagunçada biblioteca e encontrei dois bons títulos para recomendar aos leitores. O primeiro deles é um clássico do gênero por excelência, ‘Lolita’, do escritor russo Vladimir Nabokov (1899-1977), que traz a narrativa de um homem de meia-idade que se apaixona por sua enteada, uma adolescente de 12 anos.

O romance toca em um tabu nos dias atuais, a pedofilia, e ultrapassa esse assunto com um texto que expressa uma metáfora de uma história de amor, com profundo mergulho psicológico e um discurso desesperado, mas não sem ser também reflexivo: “… Dante apaixonou-se loucamente por sua Beatriz quando ela tinha nove anos…”, escreve Nabokov, fazendo referência à histórica obra ‘A Divina Comédia’, de Dante Alighieri (1265-1321).

Quando foi lançado, em 1955, ‘Lolita’ provocou escândalo e se tornou alvo de uma das maiores polêmicas literárias do século 20. Por isso mesmo, foi também um título exaustivamente vendido, criando em torno dele uma horda de críticos e leitores.  O narrador tem uma personalidade obsessiva e busca prazeres que parecem estranhos ou doentios, mas que ajudam a construir identidade com o leitor. Há várias edições desse romance nos sebos, onde seus preços são bem em conta. Uma dica para encontrar o livro é consultar a Estante Virtual: www.estantevirtual.com.br.

Outro título que é uma opção para quem gosta de texto erótico com qualidade literária é ‘50 versões de amor e prazer’ (Geração Editorial), uma coletânea de contos que reúne produções de 13 escritoras brasileiras, entre elas, Ana Miranda, autora de romance ‘Boca do Inferno’, de 1989, e nomes da nova geração, como Luisa Geisler, que tem 21 anos.

Esse livro foi organizado pelo escritor e professor de literatura com doutorado na Unicamp Rinaldo de Fernandes e tem o mérito de mostrar as várias facetas de um gênero que pode se movimentar entre o romantismo e a pornografia, mas que quase sempre mergulha com o leitor nos tabus da sociedade, como a pedofilia, tema no qual também toca Luisa Geisler no conto ‘Penugem’.

Parece que a atual onde de livros eróticos, puxados pelo sucesso de ’50 tons de cinza’, de E. L. James (Editora Intrínseca), expressa alguma demanda da sociedade que estava reprimida e que encontra expressão nesse fenômeno de vendas.  Considerando que esse romance tem feito mais sucesso entre as mulheres, isso pode indicar que, apesar da revolução sexual nos anos 60 e da liberdade de comportamento que existe hoje, o tabu faz parte do sexo e no momento são as mulheres que querem assumir o discurso da sexualidade, contra a imposição do que é certo ou errado na visão predominante, ainda essencialmente machista.

 

 

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