Faces da marquesa de Santos

Encontrei no livro ‘Domitila: A verdadeira história da marquesa de Santos’ uma oportunidade que aguardava há tempos, de saber um pouco mais sobre essa personagem central da época do surgimento do Império no Brasil, em 1822, quando o então príncipe regente d. Pedro I rompeu relações coloniais com Portugal e impulsionou o processo de independência.

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Marquesa de Santos seduziu d. Pedro I no início do Império

De autoria do professor de história Paulo Rezzutti, o livro organiza os fatos históricos sobre a marquesa, que foi amante de d. Pedro e uma das mulheres que mais exerceu influência política naquele momento no Rio de Janeiro.

Rezzutti é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e em 2010 descobriu 94 cartas de d. Pedro à marquesa, que foram publicadas no livro ‘Titília e o Demonão’ (Geração Editorial). Agora, nesse novo trabalho, o autor mostra o percurso biográfico da mulher que era considerada “a formosa sem dote” e que migrou de São Paulo para o Rio, acompanhando a ascensão do imperador.

A época da independência é marcada por casamentos “arranjados”, em que os interesses econômicos e políticos se sobrepõem às questões afetivas, e talvez como sintoma desse estado de confinamento das paixões o adultério surja como verdadeira prática entre os poderosos. “O casamento, nessa época, constituía um grande negócio. Os homens discutiam os arranjos matrimoniais; política, dinheiro e casta social eram determinantes para a união. Afeição, ou até mesmo afinidade sexual, não eram levadas em conta”, escreve Rezzutti.

Assim, não chegava a ser inadmissível para os padrões da época que d. Pedro tivesse uma amante, mas isso não evitou que a marquesa fosse alvo de críticas e preconceitos da sociedade, com sua figura oscilando entre a santa para uns e o demônio para outros.

Mas, segundo o autor, não é verdade que a marquesa doou as terras do cemitério da Consolação, onde seu corpo está enterrado. “Ao mesmo tempo em que tratam de coroar a idosa marquesa com folhas de louro, puxam as cortinas para cobrir a face jovem e atrevida de seu retrato”.

A história de Domitila de Castro Canto e Melo (1797-1867), a marquesa de Santos, é emblemática em um País no qual se sabe que poder e sexo são coisas inseparáveis na biografia da maior parte dos presidentes. Segundo o autor, d. Pedro não bebia, não tinha vícios, mas gostava de mulheres, o que marcou sua vida política.

O texto direto, sem rodeios, bem como a riqueza de detalhes sobre a época são aspectos que tornam a leitura envolvente e interessante. A parte final do livro, em que a marquesa retorna a São Paulo, apresenta dados inéditos, resultado da pesquisa de quatro anos em que o autor se envolveu para materializar esse título.

 

Domitila - capa2Domitila: A verdadeira história da marquesa de Santos;

Paulo Rezzutti, Geração Editorial, SP, 2013, 350 págs.

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