A queda do sonho americano

Fitzgerald expressou as contradições dos anos 20 em seu romance

Fitzgerald expressou as contradições dos anos 20 em seu romance

Alguns romances são obrigatórios para quem deseja conhecer a literatura norte-americana. Um deles é “O grande Gatsby”, de F. Scott Fitzgerald (1896-1940), que ganhou nova edição em capa dura, projeto gráfico apurado e um encarte no miolo com fotos do escritor e sua esposa, Zelda Sayre (1900-1948), e também de três montagens dessa história clássica para o cinema – a mais recente delas, que estreou neste mês, tem Leonardo DiCaprio no papel principal e direção do australiano Baz Luhrmann.

O mais importante romance de Fitzgerald, originalmente publicado em 1925, chega com DiCaprio à quarta versão para o cinema – as outras três foram em 1926, 1949 e 1974. Nenhuma delas, no entanto, parece ter dado conta da riqueza do livro, pelo menos segundo a crítica, que passou a classificar o romance como “infilmável”.

Mas se no plano da sétima arte as coisas não vão bem, no campo da literatura o livro é de uma força simbólica, capaz de envolver o leitor em uma tragédia cujos elementos acabam por mostrar uma sociedade, a dos anos 20 em Nova York (EUA), que depois da Primeira Guerra Mundial passa a viver uma fase de prosperidade e luxúria, que desaba com a crise da Bolsa em 1929.

Como se criasse um microcosmo do sonho americano numa época que ficou conhecida como “a era do jazz”, o Grande Gatsby apresenta a trajetória de um homem rico e envolto em suspeitas de contrabando de bebidas – era a época da Lei Seca –, que morava em uma mansão em Long Island, ilha a sudeste de Nova York, onde proporcionava festas memoráveis – para duas mil pessoas, a maioria das quais ele nem sequer conhecia –, regadas a Fox-trot, champanhe, banhos de piscina e muita loucura nos espíritos arrogantes e hipócritas.

Cada personagem do romance representa uma camada da sociedade norte-americana naquele momento, que era caracterizado por uma imobilidade social grande. O conflito que se estabelece entre o ricaço Tom e Gatsby representa, por exemplo, o confronto entre os ricos tradicionais e os novos ricos. Mas o fio condutor da história é o amor de Gatsby por Daisy, mulher de Tom e prima de Nick Carraway, o narrador. A história é marcada por traições e bebedeiras, que espelham a vida conturbada que Fitzgerald teve ao lado da esposa, que tinha problemas mentais. No prefácio, o jornalista Ruy Castro afirma que Gatsby é alterego do escritor, assim como Daisy era o “duplo” de sua esposa.

F. Scott Fitzgerald - capa3O grande Gatsby,

F. Scott Fitzgerald, tradução de Humberto Guedes, Geração Editorial, 2013, 204 págs.

Foto: Divulgação

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