Jornadas de Junho

As cidades brasileiras são cenários de exclusão. Quem não tem dinheiro, não tem acesso à habitação e ao transporte. Mas isso é só o básico. A realidade da exclusão se desdobra em tantas faces que o resultado é a multiplicidade dos marginalizados. Há os que não têm escola, médico, hospital, comida, dignidade, respeito, cidadania, cultura, informação e assim por diante.

Cada um pode observar no dia a dia novos personagens ou cenários da exclusão. Não é difícil, pois o que todas essas formas têm em comum é sua relação com o dinheiro, afinal, tudo isso pode ser comprado, tudo é mercadoria. E apesar das mudanças sociais e do crescimento da classe C, o Brasil ainda é uma plutocracia: uma sociedade regida pelo poder do dinheiro. Há até quem prefira comprar a ignorância e, nesse caso, mesmo com excesso de recursos, torna-se excluído do saber.

20 de junho – Manifestação na Av. Paulista reuniu 100 mil pessoas (Foto: Marcos Santos / USP Imagens)

20/6 – Manifestação na Paulista reúne 100 mil pessoas (Foto: Marcos Santos / USP Imagens)

“As catracas do transporte são uma barreira física que discrimina, segundo o critério de concentração de renda, aqueles que podem circular pela cidade daqueles condenados à exclusão urbana”, afirma o texto coletivo do Movimento Passe Livre (MPL), publicado no livro lançado na semana passada “Cidades rebeldes, Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil”.

A publicação reúne textos de diferentes autores ligados ao pensamento de esquerda atualmente, que procuram identificar os denominadores comuns, o simbolismo, as contradições e os desdobramentos das mobilizações que no Brasil e no mundo colocam em xeque os valores neoliberais da globalização, ou seja, essa crença já um tanto decadente de que “os mercados” se bastam.

Os jovens que foram às ruas nas manifestações de junho deram um passo fundamental para mudar a realidade da exclusão.  A reapropriação do espaço urbano é a perspectiva da luta que se estabeleceu com as Jornadas de Junho, como ficou conhecido o movimento, que culminou com o corte do aumento na tarifa de ônibus em mais de cem cidades no País.

O livro traz também uma contribuição do filósofo esloveno Slavoj Žižek, que atualmente é uma importante referência para os estudantes das áreas de ciências humanas. No texto, Žižek analisa as manifestações no Brasil e em outros países frente aos ditames e contradições da globalização.   “O que une esses protestos é o fato de que nenhum deles pode ser reduzido a uma única questão, pois todos lidam com uma combinação específica de (pelo menos) duas questões: uma econômica, de maior ou menor radicalidade, e outra político-ideológica, que inclui desde demandas pela democracia até exigências para a superação da democracia multipartidária usual”.

Cidades Rebeldes - capa2Cidades rebeldes, Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil,

Vários autores, Coleção Tinta Vermelha, Boitempo Editorial e Carta Maior, SP, 2013, 169 págs.

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