‘Utopia’, de Thomas More, mantém viva a ideia de sociedade alternativa

Quando o roqueiro Bruce Springsteen há poucos dias abriu seu show em São Paulo com a música “Sociedade Alternativa”, de Raul Seixas (1945-1989), ele não apenas surpreendeu o público com seu carisma, como também deu um segundo recado, relacionado à escolha dessa música, o de que a chama da utopia continuará viva no ser humano enquanto a injustiça e a miséria reinarem em todos os cantos do mundo.

Thomas More – Advogado humanista foi conselheiro de Henrique VIII

Thomas More – Advogado foi conselheiro de Henrique VIII

“Utopia” é uma palavra de origem grega que significa um “não-lugar” ou “u-tópos”, algo irrealizável ou impossível, como o sonho de uma sociedade perfeita, sem conflitos. Mas essa ideia existe pelo menos desde a tradição da Grécia Antiga, expressa, por exemplo, no livro “A República”, de Platão (427-347 a.C.).

O Renascimento também se inspirou nos gregos para projetar o sonho de uma sociedade alternativa. “Utopia” é o título de um livro pouco conhecido ainda hoje, apesar de ter sido publicado em 1516, pelo escritor e político Thomas More, também conhecido como Thomas Morus, dependendo da tradução de sua obra.

More escreveu sobre uma sociedade imaginária, sem propriedade privada e sem a mediação do dinheiro, estabelecida em uma ilha chamada “Utopia”. O escritor fez um contraponto à sociedade inglesa de sua época, marcada pelo despótico senso de justiça do Rei Henrique VIII, e imaginou um lugar onde a sociedade se pautasse por valores diferentes.

Há várias traduções e edições da obra, que é dividida em duas partes: na primeira, Rafael Hitlodeu, alterego do escritor e um personagem que traz a experiência de ter viajado com os descobridores da época, faz uma crítica da sociedade inglesa. Ele adverte, por exemplo, que a pena de morte para castigar os roubos, o que era vigente na época, acabava por alimentar a violência, instigando a pessoa que roubava a matar, já que não havia distinção de pena.

Na segunda parte, Hitlodeu descreve a ilha de Utopia, segundo suas características geográficas, políticas, sociais e culturais. “As leis em Utopia são em número muito pequeno. Considera-se que um excesso de leis favorece a injustiça, uma vez que se torna praticamente impossível conhecer todas elas”, diz Hitlodeu.

O professor Nílson José Machado, da Faculdade de Educação da USP, criou uma versão da obra de More, voltada ao público jovem, que agora tem lançamento em segunda edição. O texto foi condensado, mantendo a forma de diálogo socrático, como é comum nos textos de Platão, que inspira Thomas More – um orador expõe as questões ou os casos e persuade os ouvintes com o discurso do conhecimento.

Thomas Morus - capa2Utopia,

Thomas More, tradução e adaptação de Nílson José Machado, ilustrações de Vera Andrade, editora Escrituras, SP, 2013, 80 págs.

Leia versão impressa, publicada no Metrô News.

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