Casa de ferreiro…

A mulher se gabava de resolver qualquer problema, a preços módicos – de desemprego a amor não correspondido, passando por vícios, depressão, ansiedade, gula, impotência, cólicas menstruais etc. Era, segundo familiares, marido à frente, um fenômeno, muito embora ela não entortasse garfos e colheres com o olhar, como aquele paranormal israelense, que fez grande sucesso anos atrás.

Pra lá de Bagdá, o marido pediu a penúltima e abriu o jogo:

— Zeca: hoje, de novo, não vou dormir em casa.

— Por quê? – quis saber o colega de copo.

— Pra não estragar o negócio da minha mulher.

— Como assim? – insistiu o curioso, após mais uma talagada profissional.

— Do jeito que o povo gosta de falar… Vão dizer que minha mulher não é de nada, que não consegue fazer o marido parar de beber… Mas ela é poderosa. Só que ninguém tem 100% de aproveitamento. Até Pelé perdeu gol feito… Comigo a coisa ainda não funcionou.

— E você vai dormir onde? – perguntou-lhe Zeca, após mais um gole.

— Na casa de uma coligada, viuvinha da hora. Boa de cama e de copo. Tchau.

— Vai com Deus.

— Fica com ele. Precisando pode procurar minha mulher. Ela atende até 23h. Aceita todos os tíquetes (refeição, alimentação) e cartões de crédito. Só não faz fiado. Nem aceita cheque. Fui.

 

orlando3Orlando Silveira

orlandosilveira@uol.com.br

 

 

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