Um dia de leitura

Amanhã, terça-feira, é o Dia Nacional do Livro e desde o último sábado as cidades e escolas pelo País promovem eventos como feiras de trocas de livros, sessões de leitura, doações, debates, enfim, um extenso cardápio para não apenas marcar a data, mas também dizer o quanto nós idolatramos os livros, apesar de lermos pouco.

Ler pouco e ver muito parece ser um traço da nossa cultura de brasileiros. No tempo em que Manuel Antônio de Almeida (1831-1861) escreveu ‘Memórias de um sargento de milícias’, a literatura somente sobrevivia com as sessões públicas de leitura. Para dar uma ideia, a taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais no Brasil era superior a 65% no ano de 1900; e na época do Império e da escravidão era ainda maior.

Mas é interessante notar que o Dia Nacional do Livro foi instituído em 29 de outubro de 1810, com a transferência da Real Biblioteca Portuguesa para o Brasil, ato que era um desdobramento da vinda da corte de D. João VI e que serviu também para fundar a Biblioteca Nacional, cujo site hoje mantém um belo acervo digital, que merece ser visitado no endereço www.bn.br.

Biblioteca Nacional – Ato fundador institui desde 1810 o Dia Nacional do Livro (Foto: Fabiano Caruso/Wikimedia)

Biblioteca Nacional, no Rio – Ato fundador institui desde o ano 1810 o Dia Nacional do Livro (Foto: Fabiano Caruso/Wikimedia)

Atualmente, a taxa de analfabetismo entre as pessoas com mais de 15 anos é de 8,5% – ainda alta para a situação desejada, mas relativamente baixa diante da herança cultural de uma história marcada pela exclusão social, violência e a péssima distribuição de riqueza. Mas apesar da queda do analfabetismo, continuamos dependendo de eventos literários para nos lembrar de que precisamos melhorar a nossa relação com os livros. E não é demais dizer que a principal narrativa na cultura do País, a novela, não aquele gênero entre o romance e o conto, mas a narrativa televisiva de todas as noites é o que se vê e não se lê.

Para mim, o mais importante nesse dia é lembrar o quão revolucionário pode ser um pai ou uma mãe que lê para o filho pequeno. Esse é um ato que envolve mais coisas do que imaginamos. O aprendizado pelo exemplo dos pais é um dos fatores que mais influem na formação da criança. Não adianta colocar o filho na escola mais cara ou mais tradicional ou mais não sei o quê e abrir mão do papel de ser referência na formação dele.

Com certeza, mesmo inconscientemente, há pais que acreditam delegar 100% da responsabilidade pela educação dos filhos à escola. Mas o cenário da casa, da família, é fundamental para a formação do caráter, e por mais que isso pareça óbvio poucos pais se dispõem a ler um livro para o filho. Talvez amanhã seja um dia para mudar essa história e começar a contribuir para o futuro.

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2 pensamentos sobre “Um dia de leitura

  1. Concordo com você quando diz que é o exemplos dos pais que inicia, motiva e estimula na criança o gosto e o prazer pela leitura. Sou fruto disso mesmo tendo pais praticamente analfabetos pois cursaram apenas até a terceira série do ensino fundamental I. No entanto lembro de meu pai trazendo sempre gibis, HQs para casa e sentava-se conosco após o jantar e lia para nós. Era muito legal esse momento! Parabéns pelo blog. Estarei sempre por aqui de agora em diante. Abraço!

  2. Olá, Roseli, muito obrigado pela sua declaração, que confirma essa tese importantíssima do papel dos pais no gosto da criança pela leitura. Essa é uma ideia que precisa ser difundida. Grande Abraço.

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