Mudança para a nova economia

Abramovay – uso parcimonioso da matéria e da energia

Abramovay – uso parcimonioso da matéria e da energia

Às vezes fico achando que é muito raso o discurso que defende exclusivamente que a economia deva crescer, que a presidente Dilma consegue promover apenas um “pibinho” ou qualquer baboseira semelhante. Se levarmos em conta questões como emissão de gases do efeito estufa, aquecimento global e apropriação dos recursos naturais pela indústria, veremos que o crescimento da economia da forma como vem se conduzindo no mundo nos levará ao caos ainda neste século.

Esse é a questão que está no centro do livro ‘Muito além da economia verde’, de autoria de Ricardo Abramovay, pesquisador e professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, a FEA-USP. O autor propõe uma mudança de paradigma na economia: em vez da busca do aumento da produção e do consumo, ele afirma que a “nova economia” deve se orientar por uma ética de cuidar do ser humano e do planeta.

Na prática, isso significa que é preciso mudar a relação da sociedade com a natureza e olhar para os recursos naturais, limitando a produção a um ritmo que possa assegurar a continuidade de sua existência, além de associar a inovação aos desafios sustentáveis para promover a eficiência energética e a redução de poluentes.

“Uma nova economia tem justamente a função de sinalizar que esses recursos não são infinitos e, ao mesmo tempo, ela estimula a criatividade no sentido de obter bens e serviços apoiados no uso cada vez mais inteligente, eficiente e parcimonioso de matéria, de energia e da própria biodiversidade”, afirma.

Mas essas medidas não bastam para resolver o problema, como mostra o autor, sendo necessário também repensar comportamentos e a própria cultura, como, por exemplo, o uso indiscriminado do automóvel, que está levando a sociedade a um colossal mal-estar.

O assunto é delicado, mas nem de longe passa por restringir o acesso dos menos favorecidos aos recursos.  Abramovay mostra que na verdade é preciso combater a desigualdade no que se refere ao uso dos recursos naturais, e isso também faz parte da transição para uma nova economia. Enquanto os norte-americanos e europeus têm um consumo anual de energia primária maior que o dobro do que seria recomendado para a sustentabilidade do planeta, algo em torno de 70 gigajoules per capita, os países menos favorecidos ou em desenvolvimento não chegam nem perto desse limite.

Fica claro que a redução dos gases poluentes e a luta contra a desigualdade no uso dos recursos são ações que se entrelaçam para levar a economia a um novo patamar na promoção do bem-estar social e na preservação do planeta.

Ricardo Abramovay - capa2Muito além da economia verde,

Ricardo Abramovay, Editora Abril, SP, 2012, 248 págs.

Foto: Divulgação

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