Dia do Palhaço

Possolo – Palhaços são ‘anarquistas’

Possolo – Palhaços são ‘anarquistas’ (Foto: Divulgação)

Ele é tido como um personagem que povoa o mundo das crianças e por isso está na história de todos nós. Mas o palhaço, que nesta terça-feira, 10 de dezembro, tem seu dia oficial, representa mais do que alguém simplesmente bizarro e atrapalhado que marca a nossa memória de infância. “Os palhaços são anarquistas, não aceitam as formas de poder instituídas”, afirma Hugo Possolo, ator, escritor, palhaço e diretor, um dos fundadores do grupo Parlapatões, que há 20 anos atua com arte circense e teatro de rua.

O Dia do Palhaço é comemorado desde 1981. Possolo lembra que outra data importante do personagem é 27 de março, nascimento de Piolin (1887-1973), nome artístico do mineiro Abelardo Pinto, com fama internacional e tido pelo movimento modernista como ícone da arte genuinamente brasileira e popular.

Os termos ‘palhaço’ e ‘palhaçada’ muitas vezes têm uso pejorativo, principalmente quando alguém deseja se referir a alguma coisa supostamente errada na política. Mas na arte e na cultura esses termos são um tanto mais ricos em significados. O palhaço é um personagem por excelência, porque sai do lugar-comum e mostra uma realidade que nós não suportaríamos sem a máscara ou a licença da ironia.

“Palhaços revelam que não somos o que pensamos que somos. Ao rir de um tolo desses que se esborracha de bunda no chão, nós estamos rindo dos animais que fingimos não ser”, escreveu Possolo em um texto de 2007, chamado “Pela honra de ser vaiado”, comentando as vaias que o então presidente Lula recebeu no Maracanã, em cerimônia de abertura dos jogos Pan-americanos. Esse texto disseca, digamos, o significado que a vaia tem para o artista e está publicado em uma coletânea de textos de Possolo, intitulada ‘Palhaço-Bomba’ (editora Parlapatões, Patifes & Paspalhões, 2009, 166 págs.).

As fórmulas para fazer humor são dinâmicas, mudam com o tempo. Mas o que permanece é o caráter político da risada. Sigmund Freud, o pai da Psicanálise, afirmava que todo riso é escárnio. E assim, se sempre se trata de zombar de alguém ou de algo, o riso assume um caráter político conforme faz caricaturas do explorador ou do explorado, do rico ou do pobre, da minoria ou da maioria e assim por diante. Polosso diz também que o humor pode ser conservador ou transformador. “Neste segundo caso, o palhaço aponta para a liberdade, sem preconceitos. É uma questão de tocar o dedo na ferida, e não reafirmar preconceitos. O mais interessante é buscar a perspectiva libertadora e provocar a reflexão: será que vale a pena viver assim?”

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