Hora de afiar o machado

Alessandra – Desafio em contar a história dos bastidores da criminalidade organizada

Alessandra – Desafio em contar a história dos bastidores da criminalidade organizada (Foto: Divulgação)

No começo de ano, as expectativas se renovam e as férias escolares convidam ao ócio e à diversão. Os mais afeitos à leitura, no entanto, fazem sua programação anual, mesmo que apenas mentalmente, prevendo alguns livros para ler ou aumentar o nível de leitura, que pode estar baixo.

Outro dia vi uma mensagem pública no Facebook e lembrei de uma parábola conhecida dos administradores de empresas. Dizia a mensagem na rede algo como “enquanto você vê e discute novela, tem um japonês estudando…” Essa fama dos nossos companheiros orientais é antiga, mas o fato é que a parábola que lembrei diz que “o bom lenhador é aquele que afia o machado enquanto descansa”.

Há muitas maneiras de afiar o machado. Ir ao cinema, chopp com os amigos, andar de bicicleta, ou simplesmente ler um bom livro. Desconfio que “ler” é essencial para afiar o machado, uma atitude estratégica em um mês de férias, quando se pode justamente resgatar aquele livro que ficou para trás por conta de leituras obrigatórias para a faculdade, para o trabalho, enfim.

De alguns lançamentos que vi nas últimas semanas, e aí arrisco uma dica para quem vai afiar o machado, gostei de ‘Os últimos chefões: investigação sobre o governo da Cosa Nostra’, de Alessandra Dino, professora de Sociologia Jurídica na Universidade de Palermo (Itália), que tem outros títulos sobre a criminalidade transnacional sustentada pela Máfia.

“A leitura de ‘Os últimos chefões’ leva à reflexão sobre o fenômeno representado pela criminalidade organizada de modelo mafioso e servirá, certamente, para ajudar a compreender por que os chefes mafiosos elegem o Brasil como esconderijo e local atraente para os negócios ilícitos e a aplicação de dinheiro lavado em atividades formalmente ilícitas”, escreve o jurista Wálter Fanganiello Maierovitch no texto de apresentação da obra.

Por meio desse título, o leitor vai perceber que não só na Itália e Estados Unidos, países nos quais a Cosa Nostra tem sua atuação principal, a delimitação entre legalidade e ilegalidade são difíceis de estabelecer. A Máfia tem um poder de infiltração na política como nenhuma outra organização criminosa. “A experiência dos últimos anos demonstra que a capacidade da Cosa Nostra de interferir na coleta de votos e de influenciar os processos de seleção de pessoal político permanece forte e inalterada”, afirma Alessandra no livro.

 

Capa os ultimos chefoesOs últimos chefões: investigação sobre o governo da Cosa Nostra,

Alessandra Dino, tradução de Valéria Pereira da Silva, editora Unesp, São Paulo, 2013, 300 págs.

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