Biblioteca do tamanho do mundo

Faz tempo que tenho a opinião de que o acesso à cultura não deve custar dinheiro algum. Se a pessoa quer ler um livro, ver um filme, ouvir uma música ou fruir uma obra de arte por que tem de pagar? Sociedade realmente livre é aquela que democratiza os seus bens culturais, e há várias formas de fazer isso, seja financiamento, doação, ‘Crowdfunding’ – palavra da moda que nada mais é do que uma ‘vaquinha’ para viabilizar projetos, renovando o espírito de mecenato que sempre existiu historicamente.

É claro que o acesso livre ainda não é realidade hoje, mas no futuro com certeza será. Algumas iniciativas apontam nessa direção, como é o caso do ‘BookCrossing’, conceito que existe desde 2001 e que consiste em ler um livro e “abandoná-lo” em algum lugar público para que outra pessoa possa ler. A ideia com o norte-americano Ron Hornbaker, enquanto ele e sua esposa, Kaori, observavam os sites PhotoTag.org, que rastreia câmeras descartáveis pelo mundo, e WheresGeorge.com, este voltado ao rastreamento de dinheiro pelo número serial de cada nota cadastrada.

No Brasil, o ‘BookCrossing’ tem se expandido graças à dedicação da jornalista Helena Castello Branco, que com uma equipe de três colaboradores voltados ao trabalho voluntário criou uma versão brasileira do serviço, que pode ser conhecido no endereço http://www.bookcrossing.com.br. “Eu comecei como usuária e fui me envolvendo mais e mais até criar a versão brasileira do serviço”, conta Helena, que está na empreitada há quatro anos.

Mas os livros não são abandonados à própria sorte, em qualquer lugar. Para participar dessa experiência, os usuários que quiserem “libertar” seus livros fazem um cadastro para cada exemplar no site do serviço, assim como aqueles que “acham” um livro podem inserir o número de identificação para conhecer o percurso do exemplar obtido, bem como informar sua atual localização.

Helena diz que outra frente importante desse trabalho está nos pontos de distribuição, em geral, lojas, cafés ou bibliotecas, nos quais os proprietários ou gestores concordam em cuidar dos volumes durante a fase de exposição. Segundo Helena, o Brasil tem atualmente cerca de 40 pontos de ‘BookCrossing’ e a cidade de São Paulo mantém oito pontos, entre eles, a Biblioteca Mário de Andrade, no Centro, e a Casa das Rosas, na av. Paulista.

Mas essa lista de pontos vai se ampliar em pouco tempo, pelo menos se depender da vontade de Jorge Ifraim, engenheiro, empresário e líder dos movimento Santana Viva e Rede Social Zona Norte: “Fiquei encantado com a ideia e vou sugerir aos movimentos que apoiemos esse trabalho”, afirmou. Todos os pontos do serviço podem ser conhecidos no site do serviço.

Helena – De usuária a gestora do 'BookCrossing' no Brasil (foto: divulgação)

Helena – De usuária a gestora do ‘BookCrossing’ no Brasil (foto: divulgação)

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