Memórias do Jaçanã

Bittencourt – Vida dedicada a preservar a identidade do bairro (foto: Luciano Amarante)

Bittencourt – Vida dedicada a preservar a identidade do bairro (foto: Luciano Amarante)

As memórias de infância são material escasso e remoto, mas de importância porque dizem quem somos e a que lugares pertencemos. Para mim, parte desse conteúdo está ligado ao bairro do Jaçanã, na Zona Norte, onde passei a infância e adolescência, brincando sobretudo nas instalações da Companhia Cinematográfica Maristela, que nos anos 70 era um grande sítio abandonado.

Bastava pular o muro dos fundos de casa, o que tinha um sabor de transgressão, para a imaginação criar aventuras sem fim em meio a trilhas na mata e edificações em ruínas. Anos antes, ali foram feitos filmes do Mazzaroppi, entre outros, e foi por conta de suas idas àquele estúdio no trem que ligava São Paulo a Guarulhos que Adoniran Barbosa compôs nos anos 60 o famoso samba ‘Trem das Onze’, cujo refrão até mesmo os jovens de hoje conhecem: “Moro em Jaçanã, se eu perder esse trem…”

Por conta desse histórico, foi com alegria que conheci o aposentado Sylvio Bittencourt, que há 30 anos dirige o Museu Memória do Jaçanã, nas imediações da praça Dr. João Batista Vasquez, onde ficam também a escola estadual Julio Pestana e o Hospital Geriátrico e de Convalescentes D. Pedro II, que existe no local desde 1885 e antigamente era chamado de “asilo dos inválidos”.

A luta cotidiana de Bittencourt é preservar a memória do bairro, que conquistou projeção nacional com o samba de Adoniran. Atualmente, o museu ocupa o galpão de uma escola de lata, com fundos para a avenida Benjamin Pereira, um dos principais eixos viários da região. A área do museu, de domínio público, foi cedida pela Procuradoria Geral do Estado e o desafio de Bittencourt é substituir a lata por alvenaria, “criando condições mais arejadas para o acervo”, que conta com um chapéu que pertencera a Adoniran, e tem peças e documentos da antiga linha de trem.

Bittencourt afirma que a Secretaria de Estado da Cultura tem solicitado a obra, mas o museu depende de doações, em materiais de construção ou em dinheiro, para tocar o projeto que deverá proporcionar uma edificação com dois pavimentos, 300 metros quadrados e auditório, biblioteca e área de administração, além do espaço do acervo propriamente dito.

Ali, Bittencourt espera consolidar um museu dinâmico, um verdadeiro centro de cultura no bairro, com oficinas de samba e choro, e outros eventos que destaquem as identidades do Jaçanã, pois memória é mais do que meramente preservar objetos. Com certeza, a luta de Seu Sylvio não será em vão. Com as primeiras doações, a obra já começou e outras virão para que ele realize o sonho de construir a fachada do museu ao estilo da antiga estação de trem. Se você quiser conhecer mais sobre esta história, acesse: http://www.museujacana.com.br.

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