‘O Jardim das Cerejeiras’ estreia hoje no Sesc Bom Retiro

 

'O Jardim das Cerejeiras' é a última peça do dramaturgo russo Anton Tchekhov (foto: divulgação)

‘O Jardim das Cerejeiras’ é a última peça do dramaturgo russo Anton Tchekhov (foto: divulgação)

Uma família aristocrata endividada, conduzida pelos irmãos Liuba e Leonid, resiste em vender seu improdutivo jardim de cerejeiras a um homem de negócios que pretende destruí-lo e transformar a propriedade em uma atração turística. O Jardim das Cerejeiras é a última peça de Anton Tchekhov (1860-1904), um dos grandes nomes da dramaturgia e da literatura russas. A interpretação mais comum para ela: retrato de um período turbulento, de transição para uma nova ordem social, o crepúsculo de uma sociedade prestes a virar cinzas.

Para o diretor Marcelo Lazzaratto, da Cia. Elevador de Teatro Panorâmico, o texto oferece “um painel de possibilidades de leitura”. “O Jardim das Cerejeiras é um clássico porque escapa de tarjas como ‘peça revolucionária que detona uma classe em prol de outra’. Tchekhov consegue ser universal. Escreveu personagens de todas as classes sociais. O espectador pode apoiar sua visão em um estudante revolucionário, em uma dona de casa generosa, em um velho criado, em um capitalista”, diz. A montagem da Cia. Elevador estreia neste sábado (22/3) no Sesc Bom Retiro, em São Paulo.

O diretor reconhece que o texto filia-se à estética realista. Afinal, Tchekhov redigiu-o para o Teatro de Arte de Moscou, liderado por Konstantin Stanislavski (1863-1938), que sistematizou o trabalho de ator em chave realista, e por Vladimir Nemiróvitch-Dantchenko (1858-1943). Mas Lazzaratto vê na peça um quê impressionista. “Existe muito pensamento nas entrelinhas. Atrás das palavras há tantas outras não ditas. Mesmo nos diálogos há uma sensação de solilóquio. Personagens falam de si ou de outras coisas através de si próprios. Têm uma impressão da realidade, há várias visões”, afirma.

A encenação, então, tende mais ao impressionismo que ao realismo. O espaço cênico, por exemplo, “é absolutamente poético, quase uma grande tela branca”. O elenco (Carla Kinzo, Carolina Fabri, Leo Stefanini, Marina Vieira, Pedro Haddad, Rodrigo Spina e Wallyson Mota) inclina-se ao realismo. Os atores interpretam mais de um papel sem mudanças nos figurinos. “Posso trazer em mim vários”, justifica o diretor. A trupe se vale do conceito “corpo-paisagem”, que entende toda figura como a soma dela com o seu entorno. “Você é aquilo que é e as coisas que formam você”, explica, o que inclui tradições morais, concepções religiosas, classe social.

O JARDIM DAS CEREJEIRAS. De Anton Tchekhov. Direção de Marcelo Lazzaratto. Com a Cia. Elevador de Teatro Panorâmico. No Sesc Bom Retiro. Alameda Nothmann, 185, São Paulo, SP. Fone (11) 3332-3600. Sextas, às 20h, sábados, às 19h, e domingos e feriados, às 18h. Até 11/5. Não haverá apresentação em 18/4. R$ 4,80 a R$ 24. Recomendação: 14 anos.

 

Mauro Fernando2Mauro Fernando maurofmello@yahoo.com.br

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