Um lugar para Jango na história

 

O golpe militar iniciado em 31 de março de 1964 completa hoje 50 anos. Quando os militares assumiram o poder, com o apoio dos Estados Unidos, que conspiraram a favor do regime de exceção, o País viu interromperem as lutas por conquistas sociais, que só puderam ser retomadas com as eleições diretas para a presidência a partir de 1989.

A deposição do então presidente João Goulart (1919-1976) reprimiu um projeto que pretendia modernizar o País, torná-lo mais justo e igualitário, da maneira como ainda hoje tentamos fazer, com avanços já conquistados, em parte, graças a projetos como o Bolsa Família, o Prouni e as cotas raciais nas universidades e, mais recentemente, em alguns segmentos do setor público.

João Goulart – Destituído do poder e sem a verdade sobre sua morte (foto: divulgação)

João Goulart  – Sem a verdade sobre sua morte (foto: divulgação)

Quando Goulart foi deposto e se exilou no Uruguai para evitar uma guerra civil, começava uma história repleta de enigmas que ainda hoje mantém dúvidas sobre as verdadeiras circunstâncias de sua morte em 6 de dezembro de 1976, dada a princípio por ataque cardíaco.

As mudanças pretendidas por Jango, que governou o País de 1961 a 64, depois que Jânio Quadros renunciou, eram conhecidas por ‘reformas de base’. Elas preconizavam a reforma agrária, e por isso houve na época uma campanha perversa da mídia, com militares e os Estados Unidos nos bastidores, para identificar o presidente com o comunismo e desestabilizá-lo.

No ano passado, seu corpo foi exumado e, em novembro, em ato simbólico, o Congresso Nacional e a presidente Dilma “devolveram” o mandato a Jango. Mas sobre o exame a partir da exumação, que poderá indicar a causa da morte, as conclusões ainda não vieram a público.

Em 2006, Mario Barreiro Neira, um ex-agente do serviço de inteligência do Uruguai, preso em Charqueadas (RS), deu entrevistas dizendo que participou de uma operação para colocar um comprimido envenenado em um de seus frascos de remédios. Jango era cardiopata e tomava medicamentos regularmente.

É fundamental que a verdade venha à luz para que a memória de Jango encontre lugar na história. Mas essa é uma decisão política, que ainda precisa ser tomada. Há também as mortes das pessoas que conviveram com ele, que precisam ser esclarecidas. Tudo parece ter se passado como se os agentes da repressão se empenhassem em apagar a memória, que é um direito inalienável do povo brasileiro.

Para quem quiser se aprofundar e saber detalhes e contradições dessa história, indico duas obras: o livro ‘O governo João Goulart, as lutas sociais no Brasil – 1961-1964’, do professor de história Luiz Alberto Moniz Bandeira (editora Unesp, 2010), que não acredita na tese do assassinato, mas fez um amplo apêndice sobre a morte; e o documentário ‘Dossiê Jango’, lançado em julho do no ano passado, com direção de Paulo Henrique Fontenelle. O filme pode ser visto no You Tube.

 

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