Sociedade se mobiliza para criar território cultural na Paulista e Consolação

Por Mauro Fernando

maurofmello@yahoo.com.br

A primeira reunião de mobilização para a criação de um território cultural nas regiões da av. Paulista e rua da Consolação, que poderá ajudar a reverter o processo de degradação do Centro e valorizar os espaços voltados à convivência e às artes, foi realizada nesta quinta-feira (3) no Teatro Commune.

Os participantes deram um mergulho no Projeto de Lei Substitutivo do Plano Diretor Estratégico (PDE), a fim de apresentar propostas relativas ao território cultural para a audiência pública que debaterá o tema neste sábado e domingo (dias 5 e 6) no Centro de Convenções Anhembi.

A reunião foi também uma oportunidade para estabelecer estratégias de articulação política com o objetivo de emplacar a ideia no PDE de maneira clara, tornando-a viável. O eixo Paulista-Consolação tende a ser demarcado como o primeiro território cultural da cidade, cujo conceito envolve a possibilidade de incentivos fiscais e de linhas de crédito especiais para as atividades culturais.

Compareceram o vereador Eliseu Gabriel (PSB), o coordenador do Movimento Cine Belas Artes (MBA), Beto Gonçalves, o diretor artístico do Teatro Commune, Augusto Marin, a diretora de produção e administração do Centro Internacional de Teatro Ecum, Érica Teodoro, assessores dos vereadores Nabil Bonduki (PT) e Ricardo Young (PPS) e cidadãos e cidadãs interessados no tema.

Beto Gonçalves: ‘Para ter vida, a cidade precisa preservar seus pontos de referência’ (foto: Luciano Amarante)

Beto Gonçalves: ‘Para ter vida, a cidade precisa preservar seus pontos de referência, suas paisagens culturais, manter com eles uma relação de afetividade ’ (foto: Luciano Amarante/jornal Ótimo)

Apresentada por Bonduki, a proposta dos territórios culturais visa valorizar atividades nos campos da recreação, do meio ambiente, da economia criativa e da cultura, fortalecendo os agentes que as realizam. “O mais importante é termos uma proposta nítida, o que queremos e porque queremos”, disse Gabriel.

Segundo o vereador, o diálogo no âmbito do Poder Público é fundamental para obter conquistas: “O pulo do gato é a negociação, a conversa”. “Não querer abarcar o mundo inteiro”, indica Gabriel, implica na probabilidade de avanços reais no jogo político em meio às forças antagônicas que o compõem.

Os territórios culturais, à primeira vista, podem dar origem a um embate com o capital imobiliário porque apontam para a preservação e para o desenvolvimento econômico de equipamentos culturais, defendendo-os das pressões financeiras inerentes ao mercado de bens imóveis. De acordo com Gonçalves, porém, não se trata de uma iniciativa belicista, mas de uma alternativa que privilegia o espaço público sem prever a exclusão do privado.

“O território cultural cria uma dinâmica econômica que impulsiona atividades dentro do contexto do espaço público”, afirmou o coordenador do MBA. “Para ter vida, a cidade precisa preservar seus pontos de referência, suas paisagens culturais, manter com eles uma relação de afetividade. Isso contribui para a formação do cidadão, do senso crítico.” Ele admite que “a ideia está ajustada há pouco tempo”, o que gera dificuldades para sua implantação. O desafio, conta, é “disseminar essa informação e envolver mais setores da sociedade para mostrar que essa proposta ajuda a fazer de São Paulo uma cidade mais justa e sustentável”.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s