Peça de Pirandello estreia neste sábado no Sesc Vila Mariana

Por Mauro Fernando

maurofmello@yahoo.com.br

O jogo entre ilusão e realidade, entre máscara e rosto, entre parecer e ser sempre foi caro ao dramaturgo italiano Luigi Pirandello (1867-1936). Uma de suas principais peças, Assim É (se lhe Parece), aborda esse tema. O ator e diretor Marco Antônio Pâmio relata que se apaixonou pela montagem conduzida por Paulo Betti em 1985 para o Teatro dos Quatro, com José Wilker, Nathalia Timberg, Sérgio Britto (1923-2011) no elenco. Pâmio, agora, dirige Bete Dorgam, Nicolas Trevijano, Rubens Caribé no espetáculo que estreia neste sábado, dia 11, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo.

Uma série de conjeturas se forma em torno de uma família recém-chegada a uma pequena cidade. A sra. Frola (Bete) e seu genro, o sr. Ponza (Trevijano), atiçam a curiosidade das pessoas. Ela afirma que não mora na mesma casa da filha por conta do ciúme dele. Ele diz que a sra. Ponza é sua segunda esposa e que a primeira, filha da sra. Frola, está morta. E que a mulher finge ser filha da sra. Frola porque esta é louca. As pessoas formulam juízos e hipóteses e procuram descobrir quem mente e quem é, afinal, a sra. Ponza. “Há várias versões do mesmo fato colidindo, enfrentando-se e estabelecendo a confusão”, conta Pâmio.

Caribé, Amanda, Deschamps, Martha e Andreazza: colisão entre imagem e realidade (foto: Heloisa Bortz)

Caribé, Amanda, Deschamps, Martha e Andreazza: colisão entre imagem e realidade (foto: Heloisa Bortz)

O texto, indica o diretor, resume o pensamento do autor, marcado pelo questionamento das relações sociais. “Pirandello discute na peça a questão das aparências, das máscaras. A verdade absoluta não existe, o meu ponto de vista não é o seu. Os personagens ficam desnorteados quando se deparam que a realidade depende do ponto de vista”, aponta. Pâmio ainda chama a atenção para Laudisi (Caribé), personagem que é o alter ego de Pirandello. “Ele está sempre criticando, ironizando, filosofando dentro da narrativa.”

O diretor garante que o texto, nascido em 1917, é pertinente aos dias atuais. “Fala sobre o desespero de querer fuçar a privacidade alheia, de ver o que se passa na casa do vizinho. Os personagens enlouquecem para saber quem é o louco da história. E a loucura é preencher o vazio da própria vida se interessando pela vida dos outros.” Para ele, há uma insensatez nas redes sociais, onde “a intimidade é exposta para ser vasculhada”.

Pirandello utilizou a estrutura dramatúrgica clássica – exposição do problema, desenvolvimento e conclusão, embora esta seja ambígua – para construir Assim É (se lhe Parece). Pâmio explica que buscou, na encenação, conjugar a tradição com a contemporaneidade. Admite “um tom realista” na montagem, mas o cenário escapa dessa estética. “Há o elemento do espelho, da duplicidade”, já que cada pessoa, conforme a reflexão pirandelliana, carrega em si as imagens formadas pelas outras que a contemplam. Além disso, a ironia se sobrepõe. “Procuramos fugir da tentação de fazer uma comédia farsesca.”

ASSIM É (SE LHE PARECE). De Luigi Pirandello. Direção de Marco Antônio Pâmio. Com Amanda Hayar, Bete Dorgam, Fábio Espósito, Joca Andreazza, Luis Deschamps, Martha Meola, Nicolas Trevijano, Rubens Caribé. No Sesc Vila Mariana. Rua Pelotas, 141, São Paulo, SP. Fone (11) 5080-3000. Sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 18h. De 11/4 a 18/5. Não haverá apresentação em 18/4. Sessão extra em 1º/5, às 21h. R$ 7 a R$ 35. Recomendação: 12 anos.

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