Comédia grotesca ‘Operação Trem-Bala’ retorna ao palco

Tom farsesco gera risadas e reflexão (foto: Paulo Cesar Lima)

Tom farsesco gera risadas e reflexão (foto: Paulo Cesar Lima)

 

Por Mauro Fernando

maurofmello@yahoo.com.br

Naum Alves de Souza já completou quatro décadas de teatro. O dramaturgo (No Natal a Gente Vem te Buscar, de 1979, e A Aurora da Minha Vida, de 1981, entre outras peças), diretor, cenógrafo e figurinista volta ao cartaz no dia 23. Como ele mesmo diz, a “comédia grotesca” Operação Trem-Bala reestreia no Centro Internacional de Teatro Ecum, em São Paulo, depois de curta temporada no segundo semestre do ano passado.

Um velho político, Sua Excelência (Marco Antônio Pâmio), cisma que criou um trem-bala e está na iminência de inaugurá-lo. Parentes e agregados, em um ambiente marcado por interesses pecuniários, pretendem aproveitar-se da senilidade de Sua Excelência e embarcá-lo na viagem inicial do suposto trem – ou seja, interná-lo em um asilo e usufruir da fortuna dele. Cada ator – Ana Andreatta, Fábio Espósito e Mila Ribeiro, além de Pâmio – interpreta quatro ou cinco personagens.

A velhice é um dos assuntos de Operação Trem-Bala. “É uma peça ácida, não triste. A finitude é tratada de maneira engraçada, bem humorada”, esclarece Souza. Relações familiares, poder e despotismo, sempre sob uma lente crítica, são outras questões presentes no texto, cuja gênese está no conto O Almoço de Ação de Graças, no qual Souza apresenta uma família cruel, que vive a léguas do altruísmo.

A encenação distancia-se do cânone realista-naturalista. “O viés é de farsa. Por isso chamo Operação Trem-Bala de comédia grotesca. Os personagens agem de forma virulenta”, conta. “É isto o que quis fazer: brincar de teatro, fazer o jogo farsesco. A caracterização (dos personagens) é facilmente identificável.” Essa concepção está na própria dramaturgia. “Escrevi pensando nas mudanças de caracterização, de figurino, de perucas, de maquiagem. E não para enganar o público, que vê que o jogo é o da farsa.”

Por conta da reestreia em um palco maior que o do Instituto Cultural Capobianco, Souza promoveu pequenas alterações no espetáculo. “Mudei marcações, surgiram coisas novas para os atores. Isso dá um outro frescor (à montagem).” Não são mudanças estruturais, realça.

Cofundador do Pod Minoga, um dos grupos de teatro mais criativos dos anos 1970, Souza é um profissional pluridisciplinar premiado nas diversas áreas em que atua. Ostenta ainda trabalhos no cinema, na música e na TV. Escreveu o roteiro do longa-metragem Romance da Empregada (1987, direção de Bruno Barreto), assinou cenografia e figurinos do show Falso Brilhante (1975), de Elis Regina, e, também artista plástico, criou os bonecos da primeira versão brasileira de Vila Sésamo (1972).

 

SERVIÇO

OPERAÇÃO TREM-BALA. Texto e direção de Naum Alves de Souza. Com Ana Andreatta, Fábio Espósito, Marco Antônio Pâmio e Mila Ribeiro. No Centro Internacional de Teatro Ecum. Rua da Consolação, 1.623, São Paulo, SP. Fone (11) 3255-5922. Quartas e quintas, às 21h. De 23/4 a 22/5. R$ 40. Recomendação: 14 anos.

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