Literatura em Bogotá

Roncagliolo – Narrativa nos bastidores da Copa de 1978 (foto: divulgação)

Roncagliolo – Narrativa nos bastidores da Copa de 1978 na Argentina (foto: divulgação)

Até o dia 12 de maio, as atenções do mundo da literatura estão voltadas para a Feira Internacional do Livro de Bogotá, a ‘FilBo’. Esse é um dos principais eventos do gênero na América do Sul, com cerca de 300 mil visitantes e 500 expositores colombianos e estrangeiros.

No evento, o tema central é o Peru, país vizinho que está representado por sua nova geração de autores. Ao todo, 60 escritores peruanos foram convidados para participar da programação e entre eles está Santiago Roncagliolo, autor de novelas de suspense e humor negro, que em português tem lançados títulos como ‘Pudor’, ‘Abril Vermelho’ e ‘A quarta espada’.

Roncagliolo está divulgando seu novo livro, ‘La Pena Máxima’, uma narrativa que tem como pano de fundo a histórica derrota da seleção do Peru para a da Argentina, por seis a zero, na Copa do Mundo de 1978. A Copa foi realizada na Argentina em um momento em que o país vivia sob ditadura militar, como o Peru e outros países do continente.

O escritor cria uma trama, a investigação de um crime, que se passa em meio às especulações de que a ditatura argentina fez pressão sobre os peruanos para que perdessem aquele jogo, apesar da campanha surpreendente que vinham apresentando. O resultado tirou o Brasil da final, pavimentou o caminho da Argentina para a conquista do título e até hoje é alvo de polêmicas discussões.

O que ninguém duvida é que os governos militares na América Latina sempre quiseram capitalizar politicamente os resultados do esporte, como aconteceu com a conquista do tricampeonato pelo Brasil em 1970. No livro de Roncagliolo, o que é dado como certo é que, afora a polêmica sem provas, o governo peruano na época permitiu que a ditadura argentina invadisse seu território para exercer parte de suas práticas repressivas, que levaram a milhares de mortos.

Espírito do escritor

Duas frases do polêmico filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), que estão no prólogo de ‘O Anticristo’, expressam bem o espírito que move os grandes escritores. “Para suportar a minha seriedade e a minha paixão é preciso ser íntegro nas coisas de espírito até as últimas consequências”, afirma.

Mais adiante, Nietzsche completa: “Necessária é também uma inclinação para enfrentar questões que hoje ninguém se atreve a elucidar; inclinação para o proibido; predestinação para o labirinto”. Essa disposição para tocar em tabus, revelar o que está escondido e é insuportável para a sociedade coloca em evidência a necessidade de transformar a nossa visão de mundo, sempre tão confortável e conveniente. É preciso deixar a zona de conforto para tocar nas feridas das coisas e muitas vezes os escritores oferecem o caminho.

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