Projeto Kombi do Rap leva música e literatura para a periferia

A ideia de que literatura só pode ser encontrada em livros está ficando distante da realidade dos dias de hoje. A literatura está também no ar, e na periferia ela chega por meio de saraus e da linguagem do rap. Neste mês, o projeto Kombi do Rap, um veículo com equipamentos de som que permite essas duas manifestações e oferece até um microfone aberto para as comunidades, completa um ano com mais de 30 apresentações em lugares distantes, em busca do público que não tem acesso à cultura.

O rapper Liu Mr, criador do projeto, afirma que “pelo interesse dos jovens em participar das apresentações da Kombi dá para notar que as pessoas estão escrevendo sua própria história”. Ele diz que são muitos os adolescentes e também adultos que aparecem na Kombi para mostrar suas poesias e músicas. Liu considera esse um processo de protagonismo social. “Antes para um lugar ser imortalizado por meio das letras, a gente tinha de esperar vir um sociólogo para escrever sobre a nossa realidade, mas hoje o povo já está conseguindo escrever a sua história”, diz.

Protagonismo social – Liu Mr (de camiseta clara) e companheiros no Capão Redondo (foto: divulgação)

Protagonismo social – Liu Mr (de camiseta clara) e companheiros no Capão Redondo (foto: divulgação)

No próximo fim de semana, a Kombi do Rap fará apresentações nos quatro cantos da cidade, como parte da programação da Virada Cultural, um dos maiores eventos de rua do País, com shows musicais e outras manifestações artísticas. Liu Mr diz que a Kombi estará na Praça da Paz (Vila Brasilândia), no Jabaquara, no beco de grafites da Vila Madalena e no Jardim Elba (Zona Leste). “Em cada ponto, a gente vai ficar aproximadamente três horas, mas normalmente o nosso evento dura de cinco a seis horas”, afirma. Mais detalhes sobre a programação podem ser conhecidos na página do projeto no Facebook: https://www.facebook.com/KombiDoRap.

Oficina proporciona iniciação musical

Em um estudo sobre rap e literatura marginal, Waldilene Silva Miranda, mestre em literatura pela Universidade Federal de Juiz de Fora (MG), afirma essas expressões artísticas “são vozes plurais que emergem das margens do poder estabelecido e lutam pela construção da cultura da periferia, buscando reformular o discurso ignorado pela história excludente.”

Na prática, essa capacidade de dar vazão ao discurso excluído da grande mídia tem ampliado o papel da Kombi do Rap em suas incursões nas periferias. Liu Mr diz que a partir das experiências da Kombi surgiu um outro projeto, chamado ‘Kombinado’, que é uma oficina de gravação de músicas. “Nós proporcionamos uma iniciação musical para crianças e adolescentes”, afirma o rapper, que ainda neste ano fará uma viagem à Dinamarca, a convite do governo daquele País, para mostrar sua experiência com o projeto Kombi do Rap.

Confira o trabalho de Liu Mr

 

 

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