Liberdade de expressão

O escritor de Londrina (PR) Domingos Pellegrini acredita que o livro ‘Minhas lembranças de Leminski’, que trata de suas experiências e amizade com o escritor e poeta paranaense Paulo Leminski (1944-1989), e foi lançado em versão ampliada e impressa no mês passado na bienal do livro de Brasília, vai se tornar um marco da liberdade de expressão.

Com o lançamento, Pellegrini desafiou pela segunda vez as herdeiras do poeta e escritor. Inicialmente, elas haviam desautorizado a divulgação do texto que trata dos problemas de Leminski com álcool e traz detalhes sobre seu estilo de vida, que por exemplo não gostava de tomar banho. “Até agora não houve nenhuma manifestação da Alice [referência a Alice Ruiz, viúva do escritor]; isso não leva a nada”, afirma Pellegrini.

Pellegrini – Convivência com Leminski em biografia não convencional (Foto: Ariadiny Giraldi)

Pellegrini – Convivência com Leminski em biografia não convencional (Foto: Ariadiny Giraldi)

O livro transita entre o relato de memórias e a biografia formal, para proporcionar ao leitor um texto inovador, fora do óbvio e convencional, como era o estilo do poeta. A obra é narrada por duas vozes: em terceira pessoa, na qual o personagem Pé Vermelho representa Pellegrini; e por Polaco (Leminski), em primeira pessoa.

Em junho do ano passado, Pellegrini recebeu de uma editora, a pedido das herdeiras, o convite para escrever uma biografia de Leminski. Empolgado, ele se dedicou à tarefa, enviou os primeiros capítulos às herdeiras, mas não obteve resposta. Pellegrini insistiu que, se elas não se manifestassem, colocaria o livro na internet. Alice fez então objeções ao texto, e o autor o libertou sem cortes na rede.

Tudo isso acontece enquanto o País derruba a necessidade de biografados ou seus representantes autorizarem a publicação de biografias. No início do mês, o Congresso Nacional aprovou o projeto de lei, de autoria do deputado Newton Lima (PT-SP), que libera a publicação de biografias, corrigindo uma contradição na legislação: enquanto a Constituição preserva a liberdade de expressão, o Código Civil assegura o direito à proibição.

Mas a nova lei ainda precisa passar pelo Senado e obter sanção presidencial. No texto até aqui aprovado, foi incluída uma emenda do deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), da oposição ao governo, que garante a tramitação rápida do processo na Justiça para a pessoa que se sentir agredida por uma biografia e quiser reparação. Pellegrini diz que aprova a emenda Caiado e que “a pessoa pode pedir retificação, mas não é automático, cada caso será julgado por um juiz”. Ele também afirma que esse projeto “ajuda a entender que Esquerda e Direita devem fazer a democracia funcionar e não ficar travando duelos de egos”.

Minhas lembranças de Leminski,

Domingos Pellegrini, Geração Editorial, SP, 2014, 200 págs.

Este texto no Metrô News e na Folha Metropolitana.

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