Papo cabeça

— Nunca fui homem de letras, menos ainda de poesia. Gosto de coisas diretas. Não sou chegado a floreios, Ananias. Implico com rimas. Amor com flor e amor com dor me tiram do sério. Não obstante, gosto daquele poema que diz assim: “A solidão é o fim de quem ama”.

 — De Vinícius…

 — De Moraes, eu sei, eu sei. No fundo, todo mundo é solitário, embora muitos vivam rodeados de gente barulhenta. Viver é um ato solitário. Quem é do mar sabe disso. De nossos medos, só nós sabemos.

 — E o senhor, Velho Marinheiro, já sentiu medo?

— Se até rato – bicho mais abusado que homem – tem, por que eu não teria? Agora, ter medo, uma vez ou outra, é uma coisa, ser cagão é outra. Vamos pedir torresmos e mudar de conversa. Esse papo cabeça me enfara.

Orlando Silveira orlandosilveira@uol.com.brorlando3

Blog: http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/

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