Espetáculo no Sesc Consolação abandona a tradição do palco

Por Mauro Fernando

maurofmello@yahoo.com.br

Maria Eugenia Almeida e Marina Abib fundaram a Cia. Soma, cujo trabalho se conecta às danças populares brasileiras, em 2008 e desenvolveram os espetáculos Festim, Mira e Do Papo ao Passo. Viajaram em 2012 pela Europa e pela Índia – e essa jornada se transformou no embrião de A Última Estrada, que estreia no dia 26 no Sesc Consolação, em São Paulo.

“Pesquisamos, colhemos material e vivências, fizemos contato com pessoas. Um ponto particular foi o Odin Teatret (na Dinamarca), onde nos aproximamos de um ator que nos propôs um desafio”, relata Maria Eugenia. “Ele disse para sairmos do lugar confortável onde estávamos (artisticamente), que precisávamos de alguém para puxar nosso tapete.”

Dirigida por Cristiano Meirelles, A Última Estrada é uma montagem que prescinde do palco italiano, tradicional: as duas intérpretes criadoras dançam em meio ao público. A ideia, diz Maria Eugenia, é permitir que as pessoas, por conta da proximidade das artistas, vejam “detalhes, o olhar, as mãos”. Há, ainda, uma questão ideológica a nortear essa escolha. “A separação entre palco e plateia cria um distanciamento, uma impressão de superioridade do artista, um deslumbre que queremos quebrar.”

A Última Estrada é um espetáculo de dança com uma linha narrativa, o que não é comum no panorama das artes cênicas. “A dança (contemporânea) tomou um caminho conceitual que não queríamos seguir”, explica. A montagem apresenta o percurso de um casal rumo ao mar – encontros com figuras estranhas, reencontros com o passado –, mas não se fecha em um entendimento preciso, exato. “Abrimos espaço para diferentes compreensões.”

Em relação à trilha sonora (composta por Meirelles), há uma novidade para a companhia. Maria Eugenia e Marina estavam acostumadas a criar a partir da música. “Desta vez a trilha veio depois, o que deu outro caráter à movimentação. A música está a serviço do movimento, não o dita. Criamos a partir do que o personagem quer dizer”, diz.

Maria Eugenia não nega a influência do músico, dançarino e coreógrafo Antonio Nóbrega, seu pai, na obra da Cia. Soma – e não apenas quanto ao universo da cultura popular e às técnicas corporais. A vivência com Nóbrega e com a atriz e bailarina Rosane Almeida, companheira dele (e mãe de Maria Eugenia), propiciou, por exemplo, a formulação de rotina de trabalho.

Marina Abib e Maria Eugenia Almeida: não ao deslumbre (foto: Silvia Machado)

Marina Abib e Maria Eugenia Almeida: não ao deslumbre (foto: Silvia Machado)

A ÚLTIMA ESTRADA. Criação e interpretação de Maria Eugenia Almeida e Marina Abib. Direção de Cristiano Meirelles. No Sesc Consolação. Rua Doutor Vila Nova, 245, São Paulo, SP. Fone (11) 3234-2000. Segundas e terças, às 20h. De 26/5 a 3/6. R$ 2 a R$ 10. Recomendação: livre.

 

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