Consulta aos orixás

Mitologia dos Orixas - Retrato

Prandi – 301 narrativas como maior referência da mitologia (foto: divulgação)

O leitor que aprecia o candomblé ou tem interesse em conhecer os mitos que organizam o universo simbólico dos orixás nessa importante religião com expressões nos povos iorubás da África, no Brasil e em Cuba deve ler ‘Mitologia dos Orixás’, do professor de sociologia da USP Reginaldo Prandi.

O livro é a maior coletânea de mitos do candomblé, com 301 narrativas, número que curiosamente na mitologia de origem africana representa as coisas infinitas. “Juntar e organizar os mitos africanos e afro-americanos dos orixás foi o objetivo a que me propus na realização deste trabalho”, afirma Prandi no prólogo do livro, que resultou de extensa pesquisa.

Ao percorrer as páginas do livro, o leitor vai encontrar as narrativas organizadas segundo cada um de 32 personagens da mitologia e com certeza vai se identificar com alguns deles, ou com algumas de suas histórias, conduzindo a imaginação para uma sessão espiritual ou qualquer outro lugar que esteja em suas memórias sobre o candomblé. As narrativas curtas ganham sonoridade com a pronúncia dos nomes dos deuses, e o leitor praticamente se vê diante de um pai de santo ou um babalorixá.

No prólogo, o autor explica que o panteão de orixás na América tem cerca de 20 personagens e que o número maior reunido no título significa que há orixás africanos que não são conhecidos ou foram esquecidos no nosso continente. Isso reflete a dinâmica de regionalização da mitologia, já que muito do seu conteúdo originalmente ocorria somente pela transmissão oral.

A maioria dos pais de santo no Brasil era analfabeta, mas ao longo do século 20, principalmente a partir dos anos 1930, os antropólogos se dedicaram a pesquisar e organizar em obras científicas e literárias a mitologia dos orixás. Um desses pesquisadores foi o etnólogo e fotógrafo francês Pierre Verger, que adotou o candomblé como religião e mudou seu nome para Pierre Fatumbi Verger.

Outros registros importantes foram cadernos manuscritos por sacerdotes letrados para preservar e passar adiante o conhecimento do oráculo, que permite conhecer as forças dos orixás e encontrar a solução para aliviar as dores do sofrimento.

Uma ideia interessante na qual se assenta a arte de adivinhação do candomblé é a de que os fatos que acontecem com cada um de nós são repetições das experiências dos orixás. Dessa forma, o sacerdote pode encontrar na mitologia a narrativa que expressa a situação trazida pelo sujeito e indicar o caminho para encontrar a ajuda espiritual.

Mitologia dos Orixas - capaMitologia dos Orixás,

Reginaldo Prandi, Companhia das Letras, SP, 2001, 591 págs.

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Um pensamento sobre “Consulta aos orixás

  1. Ontem com nossa breve leitura do livro e hoje com a coluna, fiquei totalmente instigada a ler mais … muito bom…

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