Visão histórica de Canudos

Ruínas – Igreja Nova foi um dos símbolos de Canudos (Foto: Flávio de Barros/1897)

Ruínas – Igreja Nova foi um dos símbolos de Canudos (Foto: Flávio de Barros/1897)

 

O livro ‘A Guerra Total de Canudos’, do historiador Frederico Pernambucano de Mello, foi relançado em terceira edição, revista e ampliada, para marcar os 118 anos do fim de um dos conflitos mais emblemáticos da exclusão social no sertão brasileiro.

O título é uma oportunidade para conhecer em detalhes a história de resistência da comunidade de 30 mil pessoas e 6,5 mil casas, liderada por Antônio Conselheiro, no momento histórico em que o País se preparava para abandonar a monarquia e iniciar a trajetória republicana.

A vila de Belo Monte instalada em Canudos, plena catinga ao norte da Bahia, chegou a ser durante os quatro anos de sua existência o segundo ajuntamento urbano do estado, só perdendo para Salvador, que na época contava 200 mil habitantes.

“No quadro da agitação e misticismo, Canudos é a vertigem”, afirma Mello, destacando a dimensão mística do movimento, que estabelecia ao mesmo tempo uma alternativa de organização social e política para pessoas excluídas da ordem vigente, penando sob seca, miséria e fome.

A vila foi destruída em fins de 1897, depois de um ano de resistência perante quatro expedições militares. Antes disso, três volantes policiais que investiram contra a vila desde 1892 fracassaram diante do desejo de Conselheiro e seus seguidores – a maioria deles jagunços, beatos, ex-escravos, mulheres e crianças – de alçar um plano de vida mais justo frente a um modelo econômico de exclusão, monocultura exportadora e concentração de riquezas.

Esses fracassos iniciais foram o suficiente para espalhar boatos de que a experiência de Conselheiro ganharia as cidades vizinhas e, assim, governo, igreja e latifundiários se uniram para sufocar o “estado paralelo” que desafiava o ordem vigente, era contra o fim da monarquia e contra a laicização do poder político.

A experiência de Canudos não foi a única do gênero no País, mas foi a que teve maior repercussão, paralelamente à atuação de Padre Cícero em Juazeiro, no Ceará. Outras movimentos semelhantes ainda tiveram lugar no País, mas Belo Monte era o sintoma mais visível de um tempo profundamente marcado pela injustiça social.

O livro é uma referência ao lado de outros títulos que relatam a aventura de Antônio Conselheiro, como o clássico ‘Os sertões’, de Euclides da Cunha. Além analisar o conflito de forças e ideias que se enfrentaram em Canudos, Mello coloca na obra fotos e capítulos anexos que dão uma dimensão de quem foram os personagens que contribuíram para a vocação rebelde do povo brasileiro.

A Guerra Total de Canudos-Aprovada.inddA Guerra Total de Canudos,

Frederico Pernambucano de Mello, editora Escrituras, SP, 2014, 359 págs.

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