Velha Companhia conta histórias de três gerações

Por Mauro Fernando

maurofmello@yahoo.com.br

O Barco conta diversas histórias à Poita. Narra fatos relativos a três gerações de uma família, observados de um ponto privilegiado. A Velha Cia. recoloca em cartaz Cais ou Da Indiferença das Embarcações, peça escrita e dirigida por Kiko Marques, na Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo, com entrada franca.

“Faz 40 anos que vou à Ilha Grande (no município de Angra dos Reis, RJ), sempre de férias. Vi muita coisa nessas idas sazonais, como desativarem um presídio e fecharem uma fábrica. Com o olhar de quem ia e voltava, vi a Ilha se transformar em um polo turístico forte. E tive vontade de transformar isso em um espetáculo”, explica o autor e diretor.

Paixões trágicas são assunto do espetáculo (foto: Ligia Jardim)

Paixões trágicas são assunto do espetáculo (foto: Ligia Jardim)

“O barco é real, tem cerca de 100 anos. É velho e obsoleto, mas as pessoas têm um carinho enorme por ele, que mora no inconsciente do povo. Há algo de mitológico nele. Todas as histórias que o Barco conta terminam no Réveillon, que é um momento de fazer promessas, de dizer ‘serei melhor’”, afirma. “O cais é um lugar de interseção. Um lugar entre o que um homem gostaria de ser, o que projeta quando parte ou chega, e o que de fato consegue realizar.”

São 11 atores, além de Marques: Walter Portella (convidado da companhia), Alejandra Sampaio, Marcelo Diaz, Marcelo Laham, Marcelo Marotti, Marco Aurélio Campos, Maurício de Barros, Patrícia Gordo, Rose de Oliveira, Tatiana de Marca e Virgínia Buckowski. “O avô comete uma falha trágica, da qual são vítimas três gerações. O texto gira em torno da questão da paixão. Um caso de amor não resolvido se torna algo profundamente negativo”, revela. Marques interpreta o avô; Portella, o Barco; Rose, a Poita.

Luiz André Cherubini, do Grupo Sobrevento, responde pelos bonecos que há em cena. “Os bonecos ajudam a contar as histórias. E são ainda uma metáfora do que fala o texto, a ideia de algo manipulando, insuflando vida nos bonecos, a questão trágica entre destino e livre arbítrio”, relata Marques. A encenação tende ao realismo, esclarece, e inexiste um tom fabular na montagem. “O Barco é um ser humano, conversa com a Poita sobre coisas que viu. Nada nele lembra um barco, a não ser o nome.” Chris Aizner assina cenário e figurino. A simplicidade dá o tom. “Não há ostentação”, diz Marques.

SERVIÇO
CAIS OU DA INDIFERENÇA DAS EMBARCAÇÕES. Texto e direção de Kiko Marques. Com a Velha Cia. e Walter Portella. Na Oficina Cultural Oswald de Andrade. Rua Três Rios, 363, São Paulo, SP. Fone (11) 3221-5558. Sextas, sábados, segundas e terças, às 19h. De 27/6 a 11/8. Entrada franca. Recomendação: 14 anos.

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