Coletivo aborda a solidão

Por Mauro Fernando

maurofmello@yahoo.com.br

O ator e diretor Wallyson Mota trabalhou com o diretor e dramaturgo argentino Ariel Farace em 2012. “Ele estava em São Paulo para montar Luísa se Choca Contra sua Casa e me chamou para a assistência de direção. Ele me apresentou Sem Título nessa época”, conta Mota. “Quando, no ano passado, surgiu em mim um desejo de dirigir, lembrei-me desse texto. O que me chamou atenção à primeira vista é a peça não ter título, o que me pareceu uma provocação.” Dirigido por Mota, o Coletivo Labirinto colocou Sem Título em cartaz dia 3 no Sesc Consolação, na capital paulista.

São três personagens: Ana (Carol Vidotti), Laura (Paula Zaneti) e Ulisses (Abel Xavier). Três jovens que moram sozinhos, três universos solitários que se cruzam em determinado momento do espetáculo. “Os três vivem na mesma rua e não se conhecem”, assinala Mota. Aparecem nesses encontros sentimentos como amor e medo do retorno à solidão, temperados com assuntos como a proximidade da morte. Além da dicotomia encanto/desencanto. “Há uma metáfora da trajetória dos planetas, que se alinham e se desalinham, da força da natureza”, afirma.

Três personagens em rota de colisão (foto: Renan Lima)

Três personagens em rota de colisão (foto: Renan Lima)

Essa solidão escancarada é sintoma de uma sociedade enferma? “A peça é um retrato contundente do mundo contemporâneo, principalmente das grandes cidades. As pessoas estão cada vez mais isoladas dentro de suas casas, mantendo relações virtuais pela internet. O texto aponta para esse retrato da desolação e do enclausuramento com uma certa melancolia”, diz.

Mota indica ainda que Farace reserva para seus personagens uma luz no fim do túnel. “Embora as pessoas sejam tristes, há beleza e poesia na vida delas. Não está tudo acabado. Há saídas para os personagens e para a sociedade. A possibilidade da frustração afetiva não invalida a vontade de relacionar-se. O texto aponta que a grande dificuldade e a saída estão no contato com o outro”, afirma.

Três placas de acrílico transparentes, grafadas com as plantas baixas dos imóveis onde vivem os personagens, formam a cenografia. “São uma síntese de cada um e do universo que os rodeia. As placas se deslocam, não é um cenário estático”, explica Mota. A trilha sonora foi composta especialmente para a montagem. “Rafael Zanorini criou a música a partir de referências do rock dos anos 1990, como (a banda) Radiohead, refletindo a mecanização do mundo contemporâneo”, observa.

 

SERVIÇO

SEM TÍTULO. De Ariel Farace. Direção de Wallyson Mota. Com o Coletivo Labirinto. No Sesc Consolação. Rua Doutor Vila Nova, 245, São Paulo, SP. Fone (11) 3234-3000. Quintas e sextas, às 20h. Até o dia 25. R$ 2 a R$ 10. Recomendação: 12 anos.

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