Assédio moral: publicações ajudam a criar mais consciência

Metas sem delicadeza – Ilustração da cartilha divulgada pelo MTE

Metas sem delicadeza – Ilustração da cartilha divulgada pelo MTE

Imagine uma pessoa que por alguma razão é isolada do grupo de colegas no ambiente de trabalho. A discriminação pode ocorrer por causa de cor, origem, situação financeira, preferência sexual, uso de drogas ou álcool, limitação física ou intelectual, enfim, ou pode surgir de um motivo banal apenas porque, digamos, a pessoa tem diferentes referências culturais.

Esse profissional que perdeu a identidade com os parceiros vai carregar para a sua experiência uma certa culpa por essa situação, vai sentir vergonha de encarar as pessoas que se recusam a conversar com ele e, quando o caso é grave, vai se demitir, cumprindo o objetivo dos seus agressores.

Infelizmente, esse tipo de ocorrência faz parte do dia a dia das empresas, públicas ou privadas, e deve ser caracterizado como assédio moral. Tem gente, principalmente os que se creem aceitos no grupo, que acha que a discriminação é normal, faz parte da competição no mercado de trabalho.

Essa confusão acontece porque o assédio moral é um conceito ou uma figura ainda em construção na doutrina do Direito. É diferente do assédio sexual, realidade já bem conhecida e caracterizada. O assédio moral envolve muitas vezes atitudes ou gestos não explícitos, que causam até mesmo confusão mental na vítima, que passa a conviver com fantasmas.

Uma das leituras de referência do tema, e que nos ajuda a ter mais consciência quanto ao que de fato acontece nas relações de trabalho, é a cartilha ‘Assédio Moral e Sexual no Trabalho’, divulgada no site do Ministério do Trabalho e Emprego (http://portal.mte.gov.br). No texto, o leitor pode conferir como as situações de violência moral devem ser compreendidas, valorizando a aceitação de diferenças no ambiente de trabalho; pode ver também como identificar um agressor.

Outra fonte sobre o tema é o livro ‘Assédio Moral no Trabalho – Culpa e Vergonha Pela Humilhação” (editora Juruá), das pesquisadoras Ivonete Steinbach Garcia e Suzana da Rosa Tolfo, ambas ligadas ao Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Nesse livro, o leitor verifica como as diferentes manifestações do assédio moral são categorizadas do ponto de vista dos prejuízos causados à vítima e como o problema se mostra como sintoma da ordem competitiva vigente, que privilegia a ideologia individualista.

A UFSC, aliás, mantém um grupo que pesquisa o tema, chamado Núcleo de Estudos do Trabalho e Constituição do Sujeito (NETCOS). No site no endereço http://www.assediomoral.ufsc.br/, o leitor encontra também publicações, indicações de filmes e teses que esmiúçam o problema em situações concretas nas organizações.

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