Dois queridos

Não bateu hoje, não. Tem batido há tempos. Saudades do tio, saudades da tia.

Acho que a prima, prima querida, à distância, via FB, direto de Floripa, turbinou a danada. Saudades do tio, saudades da tia. Muita saudade dos dois. Coisa boa ter tios de que quem não se esquece jamais. Iraci e Valésia.

Nunca conheci ninguém tão querido e teimoso como o tio.

Menino, eu gostava demais de comer o arroz com feijão, bife, ovo frito, salada. Coisas da tia. Mulher de ouro. Ele chegava, ouvidos moucos, carinhoso, víamos juntos, na hora do almoço, ele e eu e a nossa fome, o noticiário esportivo. Tempos de Geraldo Breda. Gremista, meu tio. Corintiano também. Meu tio. Gostava de ficar por ali, dois, três dias. Nas férias.

O tio nunca ouviu bem. Iraci. Valésia, paciênia de Jó, gritava para que ele a ouvisse. Ela gritou uma vida toda, com o carinho de quem ama. Iraci implicava. Só quem ama implica.

Compraram um aparelho pro tio.

Mas a tia passou a vida gritando para que ele a ouvisse. Pra tia, não era possível falar baixo, uma vida inteira falando alto, pra seu amor ouvir!

E lá vinha ele com aquela impaciência e teimosia queridas: “Lá vem a Valésia”. Baixava o som do aparelho. Pura birra. Era seu jeito de dizer: “Valésia, te amo.”

 

Orlando Silveira orlandosilveira@uol.com.brorlando3

Blog: http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/

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